quarta-feira, 29 de junho de 2011

pelos persistentes


Lindo ver nascendo os pelos das pernas, dos suvacos. A vida persiste, cresce. Cada vez que nascem são outros. Os mesmos.

Guiné da Selva.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

reprodução sem título I

:)
nesse antro comigo observo
as sementes q pesam e transbordam
o q meus pensamentos sempre abordam
como são do desejo um mero servo
no ataque em que vive cada nervo
prenda doce voraz no meu caminho
é a mente de pedra y passarinho
espetando pesares com seus garfos
ninho esse de muitos mafagafos
e onde nascem bem mais mafagafinhos.


guiné da selva.
ônibus - barro macaxeira/várzea,
2 de setembro de 2010

http://cnncba.blogspot.com/2009/10/criancas-negras-usadas-como-iscas-de.html


superou as forças conservadoras que habitavam o jacaré,
superou a criança e o medo depois de muita raiva;
o choro trouxe um rio,
a verdade voltou verde,
trasparente
na penitude da morte.

água e revés.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

saponinas

Esta será a minha primeira publicação na Revista Lunduz. E é com muito prazer que ela seja uma construção coletiva, uma conversa emocionante, terapêutica e poética, cheia de declarações de toda natureza através de trocas de e-mails entre pessoas queridas. Nem todas as coincidências que aconteceram estão contidas nos textos, mas eles falam de conexões entre as experiências dessa constelação que juntos formamos.

Camila

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Minha gente, ontem eu fui na apresentação de Aninha, Carla e Mayra na Livraria Cultura. Elas cantaram Noel Rosa. Depois a gente foi para o novo pina e eu disse a Carla que a música que ela e Aninha cantaram era linda e tinha tudo a ver com elas (a música era "Seja breve"). Ela disse que o Grupo Rumo tinha gravado essa música e eu fiquei dizendo que há muito tempo queria conhecer o Rumo.

Fui procurar hoje na rádio uol e encontrei o cd "Quero passear", que tem tudo a ver com o que eu quero. Botei pra tocar e fui fazer cuscuz. Quando voltei pra o computador estava tocando a música "A incrível história do Dr. Augusto Ruschi, o naturalista e os sapos venenosos". Fiquei hipnotizada e chamei mainha pra escutar, pois ela é ambientalista. Ela gostou mas tinha que fazer o café de manhã e saiu. 

Eu continuei no computador escutando. Dr. Augusto Ruschi amava a natureza e amava beija-flor, mas um dia ele estava na floresta e viu uns sapos. Ele foi estudar esse sapos e os sapos estavam nervosos e envenenaram o doutor Ruschi. Ele tentou de tudo e não conseguiu se desenvenenar.

Nessa parte a letra diz: 



"Nesses casos assim tão graves, só se alguém tiver uma grande 
idéia e pensar uma coisa diferente, e pensar o que pouca gente 
pensa..."



A música vai se tornando mais forte numa pegada de toré e Raquel diz: "que música linda, eu quero passar essa música na mostra de vídeo indígena de Camaragibe". E mainha disse que ia colocar num cd ecológico que ela quer fazer.

A gente já fez um cd ecológico outra vez. Lembro que tinha "Cio da terra" de Milton, "Do vento" e "Debaixo d´água" de Arnaldo, "Sentado na beira do rio" de Erastro e Eddie, “Terra” de Caetano e outras… Esse cd tocou na inauguração da Associação dos Protetores do Meio Ambiente (ASPROMA) do Salgado, bairro bem pobre de Caruaru, há muito tempo. Mainha trabalha na Asproma. Ela me disse que ela já tinha ouvido falar na história de Agusto Ruschi, que aconteceu mesmo.

http://www.radio.uol.com.br/musica/rumo/a-incrivel-historia-do-dr.-augusto-ruschi%2C-o-naturalista-e-os-sapos-venesosos/54150

http://www.mpbnet.com.br/canto.brasileiro/rumo/quero.passear/augusto_raschi.htm

cami

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cami!

Conexões, conexões. A maioria das pessoas que me conhecem sabem que eu tenho um grande problema com os anfíbios. Pavor. Eu atribuo isso a algumas experiências provenientes do meu habitat familiar (psicanálise!!!) - todos os meus familiares, pai e mae, tios e tias por parte de pai têm medo deles, mais especificamente de rãs que sao umas danadas. Na minha casa sempre houve um auê danado na presença desses bichinhos que, sendo do meio urbano, não representam nenhuma ameaça a ninguém. Pois bem, a última experiência que tive com ela foi quando fui à Bonito-PE e fiquei em uma pousada que apareceram duas rãs e um sapo no quarto. Passei a noite em claro, eu e meu semi-quase-atual-ex namorado Ele tentando me acalmar e eu coberta dos pés a cabeça achando, neuroticamente, que o quarto iria a qualquer momento infestar-se de rãs, sapos e afins. Desde aí percebi que eu tinha que tomar alguma atitude enérgica acerca desse fato que amedronta minha vida em certos momentos e que passa a amedrontar a vida dos meus companheiros quando em minha companhia uma rã ou sapo se faz presente.

Comecei a pesquisar sobre os anfíbios como medida terapêutica e de me fazer entendida daquele velha jargão "tu pensas que tens medo dela, mas ela é que tem medo de ti". Ainda não consigo segurar minha histeria diante deles, mas estou melhorando gradualmente. a minha terapia consistia em: diariamente, antes de sair do computador ficar olhando foto de algumas ranzinhas no google imagens. Encontrei cada uma mais linda que a outra, e fui me enamorando delas por elas possuírem um alto nível de diversidade em suas cores e designers bastante arrojados.

Em meio a minha terapia virtualmente-caseira descobri que existe uma linhagem na familia dos anfíbios que é denominada como "cecilideos". O ente mais conhecido deles são as famosas cobras sem cabeças, também conhecidas como "cecílias"; algumas rãs, dependendo de sua anatomia também recebem essa denominação. Esse foi meu mais alto grau de profundidade atingido terapeuticamente.

Eu sou cecília, assim como um dos meus maiores medos. Isso me fez perceber como os nossos medos são partes vicerais do nosso proprio ser, e que é necessario que olhemos para eles como se estivessemos olhando o nosso proprio reflexo. Aprendendo a lidar com nós mesmos é que criamos nossas proteçoes e nos tornamos fortes para enfrentar toda e qualquer ameaça desse mundo que a gente teima em se diferenciar - toda aquela discussao sobre criador e criatura, sujeito e objeto e blablabla.

Para além dessa questão existencial, pude me tornar, infimamente, mais "politicamente correta". Na casa de veraneio da minha família em Itamaracá não deixo que meu pai esquente água para jogar nas rãs que aparecem e em nenhum outro lugar que eu esteja presente elas são mortas, pelo menos não antes que haja um questionamento acerca disso. Meu sentimento em relação ao meu suposto predador não é o desejo de sua morte, mas que convivamos em harmonia.

que adoremos as jias, e as coisas que não são jias, afinal, tudo é sagrado.

acho que essa musica deveria entrar no cd: http://palavraspreguicosas.blogspot.com/2009/01/gnesis.html

beijos,

Cecilia Cecilidea

Camilinha,

A música é realmente linda e o autor foi muito feliz. Feliz também sou eu porque és sensível com as coisas da naturaleza e te emocionas com sinceridade.

Beijos

Mamá

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Cecilídia, vamos expor nossos medos e fazer uma grande imensa terapia de grupo. Nesse momento eu não consigo ver o cursor na tela do computador, de modo que as palavras surgem como em uma mágica. Tenho pensado em como as máquinas têm alma e também são sagradas. Pensei nisso quando fui consertar minha radiola na Rua da Concórdia. Me senti realizando uma missão difícil e que eu mesma tinha que descobrir como se fazia. Hoje em dia não se vende mais radiolas e as peças são difíceis de encontrar. Eu tinha que encontrar uma determinada agulha que não havia em nenhuma daquelas lojas maravilhosas, com aquelas pessoas inteligentíssimas, artesãs, zens budistas. Não havia a tal agulha em canto nenhum. Perguntei quando ela ia chegar e o moço disse que lá pro dia 15 de agosto. Vou esperar. Tenho que ligar para o moço que está com a minha radiola falando nisso. Ele também é muito inteligente. Ele sabe se uma agulha está boa ou não arranhando-a nas costas da mão. Eu lhe perguntei como ele sabia e ele disse "eu conheço". Fiquei pensando em Cida Nogueira, que foi uma das pessoas que mais me ensinou sobre os saberes misteriosos da vida. Hoje eu estava escutando música no sonzinho daqui de casa e queria mudar de cd. Apertei no botão e o cd não saía. Tive que fazer um malabarismo danado de coisa pra o som entender o que eu estava querendo e escrevi isso:

As máquinas também ficam gagás

e como em nossa sociedade a velhice é descartada

nós descartamos as máquinas velhas

mas o que a gente não sabe

é que a gente cria sentimento

por tudo

as máquinas novas no começo

a gente estranha

mas depois a gente

vai criando afeição

mesmo sem saber

cami

Cecilídea, esqueci de dizer que a psicanálise assim como a pajelança é cura, já dizia Lévi-Strauss no seu texto "A eficácia simbólica". Ele fala de como a cura se dá através dos símbolos e que pajelança e psicanálise operam simbolicamente. A arte também. Quando (re)descobrimos os símbolos, o que tenho pensado ser uma religação com a imaginação da criança, tudo se reencanta.

Cami

Ai, Cami e Cecilia!!!

Estou em um momento simples, numa busca intensa e delicada da simplicidade enquanto cura mesmo. Neste movimento vou aprendendo a olhar pra o mundo com calma, tratando com carinho o que me chega. Vou aprendendo a integralidade das coisas, e compreendendo sem que seja preciso desvendar. Buscando a simplicidade aprendo a me aceitar, a não ter vergonha das minhas dúvidas, das minhas maldades, dos meus medos, vou perdendo o medo da imperfeição... É verdade, Cecília, só no reconhecimento, na autoaceitação, é que a gente transcende, é que a gente ganha outra força e constrói um olhar novo sobre tudo, pra seguir aprendendo a ser mais feliz. Amo muito vocês.

Indira

Ai gente, quanta coisa linda que foi escrita por aqui.

É tão bom estar por perto de gente assim, que é levada pelo coração.

Que transforma o medo num conto engraçado, e a máquina velha num ente querido.

Isso é leveza. E é amor.

Sinto que somos os bichinhos e também o próprio Doutor.

Beijos e cheiros

Maira

quinta-feira, 1 de julho de 2010

osso descarnado

lavei todas
as roupas vermelhas no horizonte
pingando nuvem vermelha
um índio descendo da américa do norte
meu parente.

lavei com as mãos vermelhas e estendi
e pingaram na varanda, à parte do céu
eram tenras, as nuvens de invento na várzea velha
e entendi.

lavei com as minhas próprias mãos
pequenas, peças pequenas
de puro sangue
e o varal era a rédea,
e as vestes, um cavalo mudo
e mestiço
que menstruava.
...
eu lavei a roupa
e pretendi
e o peito sujo e dolorido
tossia a corda e paria um potro calado.
...............................................................
que absurdo!
potro albino, com sangue de carneiro, parecia um peixe. pensei que era loucura da minha cabeça, mas mesmo assim continuei a vida; com pouco chegou uma amiga e fomos beber leite na índia da respiração.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

quarta-feira...

O MUSEU DO ESTADO DE PERNAMBUCO, A EMBAIXADA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, A UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, E A REVISTA LUNDUZ CONVIDAM PARA A ABERTURA DAS ESPOSIÇÕES

Legado Sagrado
Exposição fotográfica Edward Curtis.

By Edward Curtis.

Mitos, danças e rituais indígenas
Esposição de objetos e fotografias da Coleção Etnográfica Carlos Estevão.


By Curt Nimuendaju.
www.ufpe.br/carlosestevao/index.php


ABERTURA 12 de maio de 2010, às 19h30. VISITAÇÃO 13 de maio a 13 de junho, de terça a sexta, das 9 às 18h. Sábado e domingo, das 14 às 18.

hasta!

Guiné da Selva.


p.s: com boca livre e imão evento.

sexta-feira, 12 de março de 2010




que posso dizer da infração?
nada tenho.

meu esbugalhado olho tenta refigurar a resposta
ao teu mundo que me empeixa na borda.

eu entendo rápido à maneira maneira que tenho que ter.

eu revivo outro jeito e sigo na rua do sossego.

algo me diz que devo entrar no iraque que há no caminho do meio,
mas não é bem o meio,
ele pende,
e é bom pender
e desfazer as atrocidades do que tem vida própria.

a chegada é sempre a prata,
a casa é sempre o caso,
e essa é a coisa da carta marcada
das coisas que ainda são caminhão no encantamento.

entendo vocês,
e os detesto por instante pouco.

e´louco

mas são uma coisa tão ventre labareda que não há jeito de não ter encanto e terno.

parou e fim,
tudo na transmunhão do milagre cotidiano da fluência.

heheh

eu fico boiando às vezes
com essas coisas que ignoro
no tesão da atenção.

mas a flor vem no fumo.

e como...
e descomo

e intento o senso.

todo o luxo e toda a riqueza estão por dentro
na pulsão de fogo que existe na palha
...
luxo e riqueza estão na palha que se eleve.
da Selva,
do quebra mar gigante.

terça-feira, 9 de março de 2010

raça

http://www.youtube.com/watch?v=VyGGQ1ahsI8

parto de pájaro em plano americano


terceiro olho expandido, nave de extensão. entre os grandes lábios cósmicos com o cheiro a altura dos ombros. guiné inaugurada sobre as escamas dos répteis mutantes. tons de terra e luzidios. pelos ovos visíveis do corpo, alma atômica do condensado. pássara mista das entranhas pretíssimas. encaracolada do ministério transformante.

é ela a grande deusa.

segunda-feira, 8 de março de 2010

azeitona roxa

o oeste salta fumado pela mulher indigena que nos olha de baixo, a femea terra. presente velho no urucum. as mulheres falam de seus sangues, de seus processos acesos de dor, e assim transam a matéria com seus vinhos uterinos. os olhos de lince nas terras negras da noite, nas tendas vermelhas e negras, os olhos coagulados de caça. queremos ensinar os cães, amamenta-los, comungar uivos. queremos despertar nossa consciencia sensitiva de égua, nossa natureza de água. queremos compreender a paúra cavalo, ser a cor cobre de crina pubiana.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

padmassana

veio o velho tremendo e surdo
pela estrada, commedo da morte,
a vida era essa das tentativas,
assim que se aprende de si.

pude a compreenção das ânsias
e as nuvens da goela ficaram densas
achando a situação de filme.

lembrei que faltou olhar nos olhos da raposa,
e dar na clareza dos dentes
a meia lua do povo do rio negro.


http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=13719075

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

sertões de dentro e de fora


Quiero llamarte “abuelo”, “señor”, “padre”, “viejo”, que me parece ser el enseñamiento que careces ahora, entenderse en par con el tiempo cambiante, con los procesos de maduración de la materia en el aire. Se te entiendes así, te aquietas, sin miedo de la muerte, y así, puedes contemplar las rugas que se desceñían en tu piel, las manchas del calor, e los desgastes desenrollados en tus propios caminos, conociendo estómagos de baleas, en revoltosos mares, descubriendo nuevos compuestos, nuevos viejos complexos, vivenciando el ambiente líquido de la amplitud de los sentimientos. Es la hora de reentender los deseos, vivir la muerte de otra manera, y entenderse dentro de la querencia del mundo. Se tienes algo a decir, dime, que estoy a escucharlo, yo, cuando no hablo, es por non tener palabra que ayude. As veces el silencio es bueno en hacer que se hable dentro. Llama atención tuya, enjérgate. Es tu misión ahora, tu augurio, tu señal, tu mejor presagio; tu pasaje, tu miración… la transmutación en pájaro y zorro señora. Solamente así, en el tao, el camino del medio, te quedarás tranquilo y guapo. Solamente así, podrás vivir tuya poesía en el desapego.
La cuestión no es olvidar el niño, el joven, el hombre, es si la comprensión de las presencias todas, el conocimiento arquetípico que te hace sabio hablador e vidente. Es la intimidad con el cantar de las leyendas, la intimidad con el camino, la permisión en parafrasearlo maestramente y en eficacia. Entonces, ejerces tu xamã – ¡cultiva, profesas! – tu hechicero anciano, dale destello para que trabaje a ti, te ocupe, te maestre; que conocerse es conocer tuyo sol de la media noche.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

simone d bom voar


Melhor seria se melhor fosse... Mas como melhor não é, melhor é ser o que se é. Mulher e maravilha!
Emoção ampla com coisa de mulher... Sangue menstrual, mama, leite, ovo... Outras coisas aprendi de o que é ser mulher, (coisas dessas que me instigam o medo e a raiva), vem choro amplo e culpa social do mundo... margaridas elásticas e violetas profundas. Choro o chôro das Marias – é a dimensão da poesia que acontece. E me sinto renovando os tecidos quando lavo os meus panos de sangue.
Não quero olhar o rosto dos meninos e ver o barba azul, (apesar do referencial primeiro ser um papai berbere, que brigava segurando bravo os dois ante bracinhos finos, com olhos de patrão e me sacudindo no ar), quero enxergá-los gente, não capitão, patrão, bom-bom, balão, São João, Frei Damião... – é muito! Tou aprendendo ainda a lidar com o feio e com o belo. Tenho muito medo de ouro que ludibria, de prata Luzia... Meus tios vivem ameaçando de morte as mulheres da família... Mamãe aprendeu cedo a atirar. Pai dela com tanto filho, ela queria o amor. Ela montava cavalo feito índio Norte Americano de filme de faroeste. Cavalo em pêlo – girava pro lado, sumindo dos tiros. Eu, coitadinha, aprendi em casa, tempo de TV, uma sertaneja urbana. Nunca montei cavalo, cedo amei Spike Lee, conflito de cor e dor dentro. Em recife, um tempo desses, dei de ter medo de homem, de carro que passa parando perto, de gente de bicicleta. É muita nóia legítima. Tanta mulher estuprada e morta. Ter medo de gente é muito triste, horrivelmente doloroso, dor e raiva junto... Engasga na goela. Um abismo com o mundo.

Às vezes, numa lindeza, a gente fica seguro feito ar, feito bambuzal, é quando a gente consegue amar o narciso do lago, sendo a gente própria. Quando a gente consegue amar o jacaré de papo e sorriso amarelo.

Um contexto amplo construiu outros sentires sociais em mim, e sendo mulher, sou um pouco essa contradição do que passa a ser subsolo, sinto totalmente essa Proserpina perto.

Sendo mulher/sociedade, o fato é que inda me oprimo muito, sem-querer-querendo, mas tento compreender brincante as condições e os limites existentes assim. E pergunto: Com tantos eus no coração, o que me faz mais forte? So(u)Frida. Compreendo que sofrer pode ser importante, pois pareço crescente sempre mais forte. ,Alimento sentimento tão nuvem, porque só assim se chove, e chover é bom. E, no sol, inda tem arco-íris. É a lida, há de se conhecer o que os contextos causam, para que se possa parábolar com propriedade quando se brinca o tarô com alguém que pede, são os compromissos sociais que a gente vai travando na vida.

Sem perceber essa mulher não ia poder consolá-la, amá-la, tê-la... – raiz, alimento santo, cristal quartzo, cria... – Sábia sabiá.
Se não sofresse mulher, não choraria de graça, ouvindo canções de irmãs...

Dizem que é coisa de geração, que somos na geração, crianças além, criança índigo, tendo o sentimento do mundo, querendo morrer e lunado a morte com amor. Aprendizado lindo. E além, o cinema continua me ensinando. Aprendo a olhar a rua, os olhos e os dedos. Dizem muitas coisas, os dedos dos pés, as orelhas, as olheiras, os enfeites das gentes, amuletos e plásticos, as lidas todas. Tento ouvir... e são tantos os presságios, sempre bom quando abrimos as janelas.

Pois é, não quero nem preciso mais ficar chantageando papai e mamãe, tantos limite já têm – os perdôo e pronto! Posso a psicanálise mais certa, compreensiva ampla. liberdade, bicho! Bicho gente é doideira mesmo. E a palavra pode ser um remédio bonito, canto soante, colo mole... e trazer choro. Aí passo: sou filha minha pequena, me olhando dentro, com a cabra, com a cadela... – São: os bichos em casa, e os alunos de minha mãe – me trouxeram uma generosidade qualquer, que fui reaprendendo com o tempo... Numa usina velha, num passado perto, lembro da menina, e os olhos são os mesmos, cheios de medo, e tão lindos espelhos e amplos. São olhos das palestinazinhas, mesmos, e encontro em tantos, e é o encontro quase sempre uma temperança alando. Não é difícil lembrar que a menina está perto, – apesar dos seios e do bucho, dos pelos e do sexo reentendido, dos longos cabelos – a menina está. Sábia e zéfira. Fica me azucrinando o juízo pra que eu a veja, compre, cuide, acarinhe. – Ai que chantagista de merda acabo sendo às vezes! Quero amor pra menina e esqueço-me de dar. Fico doendo querendo o cuidado dela... E ela é menina, só brinca, não sente dor assim como eu, se sente, sabe chorar, chora e pronto. É fácil, sente dor quando vem – a dor passa – ela briga e esperneia e põe pra fora. Aprendeu com o pai a controlar a cócega logo cedo, respirando fundo e pensando num cavalo correndo de crina no vento. A menina ficou estranha, sem sentir cócegas, era uma criança tranqüila, boa, até a separação dos pais... – danem-se, quero continuar abrindo escalas e pulando elásticos! Livre livre livre! Foi bom morar com a mãe no sertão, ficou criança de rua, a casa era da mãe Joana, sendo proibido proibir. Mais cinema tem nisso. Sem pai patrão.

Ficou guardando um pai de lembrança, que lá longe guardou também. As linhas são meio tortas, mas a escrita é certa, tem sentido, tudo – tem dito a física moderna.

Tá hoje a menina querendo toque, atenção, brincar na rua, gritar com trovão de chuva e andar de cavalo. E eu sempre morgando ela. Chatinha e chatíssima.

Mas é o tempo, e acordam nela, mesmo na apatia, outros lados. E entende: sendo mulher é índia, é preta e planta, proletária, diabo, cobra, criança, escravo, e outro(s). Tudo que essa doidicinha social foi de medo trancando na caixa de Pandora.



A. Galvão.
Pela madrugada de 8 de dezembro de 2009. Várzea.

sábado, 21 de novembro de 2009

Lundu e totó.

tempo ó vovÓ
tempó, vô vÔ
tempóvÓ
temporal

óò

ôvÓvó
ôvOvô

Ôô

viVó de bicó
vivo ave de bico bicó

amuando bezerró
fazendo Lundu e totó

enfezado enfezadó
feito ave, avé
cocando cocó

carococando caca cacá

de duro cocô de cacá.

tempOral.



Anaíra Mahin
Várzea – Recife
Novembro de 2009

a peste


coisa viva.


Ave! O sentimento.


Tu tens tuas razões, eu tenho as minhas
Sei que o sol, nasce sempre, a lua, igual
Cada dia, o sol mesmo, um raio novo
Cada breu, mesma lua, nunca a tal.

Supuseste um modelo perdurante
– Que não migre, não mude, nem sucumba.
Não entendes que a vida é uma sorte,
Que a gente interfere, mas não funda!?!...

Branca hora, e o branco encantamento,
Que cantava em nós dois, se redefine
– Transformou-se, mutante, o sentimento.

No entanto, compreendo, sem tormento.
Se rejeitas, amor, que a dor te ensine!
Cedo encontras na vida um outro invento.


Anaíra Valadares.
Recife, outubro de 2009

terça-feira, 3 de novembro de 2009

TIM MAIA, o filme.

O outro lado na Moeda Filme de curta metragem que retrata a história se "Tim Maia", um barraqueiro que vê grande parte do que construiu na vida se esvair por conta da implementação de uma política pública.O filme se passa no Bairro do Recife Antigo, Recife, PE. Duração: 09:42
disponível no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=ZN0oh5rLupU


Abaixo, trecho de entrevista com "Tim Maia", transcrita por Nilvânia Barros, feita por nós.


"Eu não nasci na cidade, mas no município de Rio Formoso... eu andei muito, num tive escola, só tive dois anos de escola. Ai meu paicolocou a gente pra morar nos matos novamente. Ai quando eu vim sairde dentro dos matos eu já estava com 17 anos, e então eu procurei acidade. Passei a morar na cidade de Ipojuca, morei lá uns tempos, edepois vim pra cidade... Cheguei aqui em setenta e um a setenta edois....e tô por aqui, tô por aqui bolando. Nos anos noventa, vim doCais de Santa Rita do Bairro de São José, ai coloquei esse comércioaqui. Aqui eu trabalhei dezesseis anos, agora que já faz um ano que aprefeitura tirou, eu tô voando, como diz a história. Mas de qualquerjeito eu ainda tô por aqui.
Antes da revitalização eu empregava gente, porque eu tinha barraca,antes eu trabalhava com quatro pessoas, agora três foi pra fora e eutô com apenas um, trabalhando dois dias por semana. É o resultado quedeu essa revitalização. Eles avisam logo: tem tantas horas pra sair,pois senão sair nós vamos levar tudo. Mesmo assim eles fazem. Dáaquele tempo pra os indivíduo sair, senão sair eles chega e leva tudo,prende tudo... é assim mesmo. Ninguém resistiu, a gente tentemosresistir, mais não tem fundamento resistir.
Eu agora tô guardando a carroça e as cadeiras lá, em umestacionamento que o colega me deu uma colher de chá, né... até quandoeles quiserem. Porque depois que eles dizerem não guarde mais, eu nãotenho mais onde guardar. Antigamente eu guardava tudo dentro dabarraca... O único que tá aqui sou eu, porque eu não tenho pra ondeficar. Tentei ir em outro canto, mas não deu. Comprei uma posse lá noCais de Santa Rita, mas ai perdi a posse, perdi meu dinheiro, perdifoi tudo. Tive que ficar aqui mesmo. Disseram pra ir pro Cais de SantaRita... Mas como? Chega lá eu não se tem fundamento. Local tem, masnão se tem fundamento pra se ficar ali. Porque os pontos melhoresestão ocupados, e os pontos lá pra trás vai se vender o quê ali? Alinão adianta, vai pra lá, passa o dia todinho lá pra vender doisrefrigerantes. Como é que vai comer do lucro de dois refrigerantes?
De cultural eu não tô vendo nada, vi somente foi um atraso para obairro e não um movimento cultural. Pode ter um movimento culturalquando chega navio de passageiro aí, tá, aí faz movimento pra taxista,movimento para ônibus turista, mas para o povo do bairro, nenhum."

domingo, 1 de novembro de 2009

Povo amado,
compartilho cá um editorialzim de fim, pra começo de história.
com_um beiju.
Querida Lunduz de outubro,

Estabeleço essa comunicação para que se saiba um pouco a escala tonal que esse mês foi conseguindo, desde as ciganas velhas que apareceram e as velhas ciganas que teimam em se eremitar, às dicas 'acadêmicas' do professor Michelotto, que têm sido de suma importância para que as veias abasteçam as canetas imateriais da prosa poética, (nos 5 minutos de escrita de cada dia, que venho tentando feliz). AgradeCida, ainda, ao contato herança afeto que me permitiu mais proximidade com o entendimento holístico dos almanaques, ampliando minha maneira almanáquica de entender o mundo, e a abertura de me entender mais dentro dele, sendo uma mãe menos carente e mais amorosa, pois que há A poesia em todos os lugares, e toda ela é o espelho sincrônico, (é uma guinéz). Já, quanto aos contornos e às posturas celibáticas, pinto as manhãs celestes no emaranhado do trãnsito e em terras estreladas do Centro-Oeste brasileiro. Por fim.. durmo pensando ainda, que até mesmo quando penso nos jacarés filhos de aves - aqueles que comem as mães na adolescência, os jacaré edipianos, imperfeitos, sorumbáticos - penso em como é sempre bom o encontro, e que nunca é 'des' .
10.10.2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

peixa-palmeira

Peixa.
À Camila Santana

...ela é um mar
que na praia vai e vem
que entre os dedos some
que deixa nos dedos o sal.

é uma flor
flor amarelinha
flor mirando o sol
uma camomila.

é uma lua
uma loba nua
lobinha criança
mastigando a pedra

é areia fofa
que a gente deita
e inda dorme um sono
sob o céu da boca.

ela é um "peixão"
como diz o povo.

uma vênusinha
ela é maré.


28 de outubro de 2009
vázea.
anaíra mahin

terça-feira, 27 de outubro de 2009

nota de esclarecimento:

Não acho que a história de Eléctra tenha nada que ver com a história de Édipo... Foi besteira de Jung, e é porque gosto muito dele, quando levanta ao fenomeno da sincronicidade, mas, a estória de Édipo, é muito melhor que a de Eléctra, e isso não é inveja do falo, sr. Freud, é só que não quero ter complexo de Eléctra, quero uma estóriazinha melhor inventada, com cegueiras e etecéteras. Posso até mesclar tudo... mas meu complexo é de Édipo!


Guiné da Selva,
set, 2009.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

trexxo bíblico II

Oásis meu,

Muitos solstícios se passaram. Os guardo, todos.
Há um tempo arenoso, nos encontramos naquela esquina etérea. Expliquei-te do quarto crescente que nos habitava com um gesto longe. Eram naqueles momentos que os joelhos dos camelos podiam encostar a brancura quente e movediça do chão informe. Naquelas suspensões, em que se arriavam os pertences coloridos.

Lembro. Nas soltas tendas, as mulheres cuidavam em colorir os olhos, verdes -amendoados. Os olhos pretos. Eu te ofertei os dois que eu tinha. Comprastes logo. Mirando firme o meu mormaço que recebia a tua paga. Pagou na moeda mesma, e estrelada, doirada, solar. Osíris.
(Pensei... - É impressionante como as crianças não têm chorado por aqui). Um vento soprou o tecido que cobria tua barba...
Percebi as marcas nas tuas maças... Eram as tatuagens de teu povo.


Cap. X
Livro do Exodo...
As cartas e as matemáticas.

sábado, 24 de outubro de 2009

Elogio à Guiné

ELOGIO À GUINÉ.


Óh, vós, Santa-Preta-Estrelada da infinidade cósmica! Já carregastes vossa lua nos pés quando por caridade pedimos uma claridade mórfica que nos permitisse a noite. Bem sabes que nesses tempos, quando muito aberta a iris dessa luz, nós festejamos vossas aberturas e queimamos.

Santa das constelações, sobrevivente dos dilúvios, e das nuvens. Em vossa morada no alto dos imbondeiros, das ramagens pálidas, dos tempos de estiu... vós reclamas de fraquesa, e eis que te digo adorando: Céu dos viventes de todas as terras, por conhecerdes das forças que em contrários dialogam, vós sois uma fortaleza mutável e vaga... Cheia de nada. Uma maré de éter.

Santa dos opostos, dos contrários, dos casamentos álmicos. Deusa virgem do carvão, esse que unido a óleo de bicho serve para anoitecer nosso corpo num dia de brincar sagrado. Mãe das cinzas, mãe das so(m)bras, mãe da morte. Mãe mão leve das sortes. Deusa-filha-negra da madureza e da passagem, do renascimento eterno, que trôpega madrugada traz no bico nossas criançãs coloridas, as gemas, as jóias. Vossas crianças de pedra. Óh mãe! Teus devotos te comemoram, tanto nas horas que apareces cuidando, quanto nas borrascas claras do tempo em conflito.

Pois, quando produzimos os vinhos do milho, bebemos dele em homenagem a vós, e quando chupamos os tamarindos, quando amamos, quando engravidamos – imaginamos a comunhão dos gostos e dos punhados em nossa-vossa língua.

Mãe velha e vasta, dos pigmentos e dos azuis. Barca condensada das carências de terra inteira.



Livro de Ananias -cap V

versiculo XIIV

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

um mar de linguados trêmulos.

(aos 'nazistas' e 'narcisistas').


É comum que nós nos apaixonemos por nossos professores, pois, pelo ofício, já são aqueles que devem nos deixar imaginativos, quando assim o são - de verdade - é comum que nos apaixonemos.

Posso fazer uma retrospectiva e encontrar o começo,
mas Freud já disse:
“OS PAIS”! “O ÉDIPO”!

E Lacan já reexplicou:
“UM MAR”...

É a nossa imersão no mundo oceânico da linguagem.


Ainda, quanto às paixões, é comum nas sociedades um tal de ‘proíbibo-e-tabu’ que em muito conflita os nossos quereres.

Lídia, uma amiga minha, sonhou um dia desses que Freud era o pai dela... e aí ela encontrava ele, e começavam e se comer... as pessoas olhavam reprovando..., no começo ela se incomodava, mais depois ela transcendia... mandava todo mundo se fuder também.

Assim, é comum que vez ou outra, nós nos apaixonemos por pessoas que supostamente se distanciariam do padrão dos disponíveis e ou dos belos.

Portanto, é comum que nos apaixonemos: por pessoas comprometidas, por pessoas com filhos, por estrangeiros, por padres, por passarinhos, por bandidos, por sorrisos diferentes, por bocas sem lábios, por jovens velhotes, por moçoilas velhas, por densos silêncios, por sobrancelas coladas, por grandes narizes, por diadorins. Dependendo, no entanto, da configuração padronizadora da cultura de cada um em questão (é claro). Nesse sentido, faz-se necessário, para uma psicanálise-sócio-individual, que reflitamos a respeito desses possíveis esquemas de invento.

Ex:

O jovem Narciso peca ao entender a impossibilidade de amor entre ele e o jovem do lago - sendo, “o jovem do lago” = sua própria imagem em reflexão.
Nesse tipo de projeção Narciso deprecía sua existência ampla em detrimento de um fetiche extremo. E se entristece no desentendimento da possibilidade de experiênciação desse amor.


Guiné da Selva,
Recife, outubro de 2009.


Pensando que é comum que a gente queira brincar sério comos espelhos acabei de acha isso no dicionário internético (é o título de um livro que eu não li):

Alice no espelho
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para:
navegação, pesquisa
Nota: Se procura o livro de
Lewis Carroll, consulte Through the Looking Glass.
Alice no Espelho é um
livro brasileiro de 2005 escrito por Laura Bergallo.
Foi premiado com o
Prêmio Jabuti de livro juvenil e selecionado para a 44ª Feira do Livro Infanto-Juvenil de Bolonha, na Itália.
[
editar] Resumo
Alice é uma adolescente cujo pai foi embora de casa quando ela ainda era pequena. Boas lembranças ficaram, entretanto. Como a leitura das obras de Lewis Carroll,
Alice no País das Maravilhas e Alice através do espelho, que o pai lia pra ela todas as noites antes de dormir.
Agora, aos 15 anos, sem entender a ausência do pai e obcecada por aparência e magreza, Alice acaba por contrair
anorexia e bulimia, chegando ao ponto de ser internada inconsciente.
Durante seu
coma, ela visita um mundo estranho, onde todas as pessoas são iguais e abrem mão de sua individualidade em nome de uma aparência padronizada, ditada pela sociedade. Aos 16 anos, todos passam pela "transformação", processo médico-cirúrgico supostamente voluntário que os torna cópias dos modelos considerados ideais de beleza.
Mas nesse mundo ela também se torna amiga de Ecila, garota gorda porém com opiniões firmes que, por influência de seu pai considerado louco, recusa se submeter à tão desejada "transformação". Para tentar ajudar a amiga, Alice acaba compreendendo que ela própria precisa procurar ajuda para se curar, embora reconheça que o processo é doloroso e difícil.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

especulando o nome

tenho pesquisado "ALmanaques populares sertanejos"
descobri que são "o juízo do ano".

sei - já faz tempo- que todas as palavras que têm "AL" são árabes...

o estado nordestino de ALagoas é um bom exemplo.

meu nome, minha mãe escolheu no sentido de ser eu uma tupizinha,

e de ananaíra ficou ANAIRA
Fiquei ananariando...

encontrouxe o espelho em ARIANA
- mas não curto purismo ariano...
ARIANO! em suma... Ainda tem esse, armorial, da Paraíba, o Suassuna...

sua suna...

ACABEI DE LER no dicionário da internet que "A palavra árabe Suna significa ‘caminho trilhado’, e logo, suna do profeta significa os caminhos trilhados pelo profeta, ou aquilo que é normalmente conhecido como Tradições do Profeta".

"Os sunitas (سنّة) formam o maior ramo do Islão, ao qual no ano de 2006 pertenciam 84%[1] do total dos muçulmanos. A maioria dos sunitas acredita que o nome deriva da palavra Suna (Sunna), que se refere aos preceitos estabelecidos no século VIII baseados nos ensinamentos de Maomé e dos quatro califas ortodoxos. Alguns afirmam, porém, que o termo deriva de uma palavra que significa "um caminho moderado", referindo-se à ideia de que o sunismo toma uma posição mais neutra do que aquelas que têm sido percebidas como mais extremadas, como é o caso dos xiitas e dos caridjitas".

tanta coisa...



Anaíra Mahin
2009, UFPE, outubro

eD

Ed tem uma rata branca que se chama nêga
ele faz teatro...
é um menino colorido.



guiné da selva
outubro de 2009, UFPE

quando os pinguins viram bodes

os traços transitam
quem pode perceber com olho clínico,
olho de quem desenha
de quem pinta

o espelho é a pele, e os ossos a moldura dura...
o gargarejo: as pernas grossas.

a tatuagem nova é de sangue e interna,

tem a ver com os processos biológicos, hormonais e santos

quando voltei a pensar já era tarde, e o corpo fez por mim o que não tive coragem
ele me disse pra esperar... perguntou se eu sabia esperar - em algum momento perguntou essa besteira, da boca pra dentro
e nunca mais tocou no assunto. ele não teve coragem. disse dane-se em silêncio.



guiné da selva
são paulo, julho de 2009
ossos do ofício

eu queria fazer uma canção
que falasse de minha angústia de não saber tocar violão
mas não consigo
não dá

outro dia escrevi um manifesto
elencando várias coisas que detesto
melhor calar

mas agora na estação
percebi como a moça que sorria era esguia - um mulherão
resolvi fazer uma operação, pra esticar a tíbia e o perônio
quem sabe desse jeito eu arranjo um matrimônio - já estão fazendo isso no Japão,
já tem tecnologia!

nada que eu pensasse evoluia
nada queu fissesse me preenchia

fui ficando triste, ai de mim... era tanta coisa ruim

meu trabalho em que devia ser feliz e lucrar ...
virou uma enxaqueca sem par...
e inda perdi o semestre da faculdade...
pra tudo fui ficando sem vontade...


mas eu queria fazer uma canção...
mas eu queria fazer uma canção...
mas eu queria fazer uma canção...



Guiné da Selva em parceria com Anaíra Mahin
são paulo/sp- julho de 2009

A avó


a avó.

a avó preta guardava numa lata circence seus pequenos prazeres. cigarros linhas tesouras, dinheiros soltos. era o banco do brasil. soltava as notas pretas a neta de afeto que ia feliz na budega de esquina comprar os confeitos e os dindins, os salgadinhos amarelos e as bolachas morenas. escondia os cabelos crespos em lenços azuis cotidianos, frizando os grampos. bilírios bonitos os olhos velhos dela, cegando. tatiava a casa. mas tinha muito orgulho para assumir qualquer cegueira. um dia tropeçou e caiu na rua, rejeitou na hora a ajuda de Maurício, o menino aprendiz que vinha ao lado ouvindo e atento. ela era a forte, a toura. tomava lapadinhas de cachaça ou licor antes do banho, julgando o frio. morreu eu tinha só 4 anos, só pode ter ficado grande na minha cabeça, é a lembrança que existe assim, uma mulher grande, uma avó de seios quentes de cozinhar, de ferver canjica, fria de mexer em água, em bacia, de lavar as caçarolas. lembro das unhas escuras limpas longas, de mulher vaidosa, compridas, largas. Carvão alfazema, um coentro aberto. o cheiro-verde, fumando. o travesseiro do braço dela, ela contava baixinho A festa no céu... apresentava aos meus sonhos o touro azul...

várzea, outubro de 2009.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

as guinés

Guinés são aquelas que se enamoram de Pingüins mudos. Absurdos esquemas de invento.

São aquelas
que constroem da teia das aranhas viúvas
grinaldas perecíveis,
para em noites de lua que mïngua
casar com o próprio sangue menstrual,
vermelho espelho e vivo,

no reluzente da bacia alumínio .

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

poema antigo.

O outro.

Quero dizer mais puro
A minha viva verdade
Que submersa em saudade
Vem sufocada na dor

Talvez se eu soubesse a cor
Dessa dor que gosto dela
Trabalhasse com aquarela
Sem querer ser escritor

Mas como não sei ao certo
Se vens fechado ou aberto
Eu guardo dentro de mim
Um sentimento incolor

E crente que seja amor
Escrevo versos assim.

(São José do Egito, 2005).

Entrevista de mim à mim mesma:

Meus dados.

O que eu gosto:
Chorar, llorar, cry...
O que não gosto:
Engolir choro, um...
E um desejo:
Aprender musica
Pra relaxar:
Nadar de costas em meio sol
Um livro bom:
O profeta de kalil Gibram
Um filme bom:
Sonhos de Akira Kurosawa
Um lugar bom:
Na memória o lugar que cresci
O que eu sou:
Aquele a quem Teresa deu a mão.

(Recife, 2008)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Mário Lunduz

Lundu do Escritor Difícil
......................Mário de Andrade

Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquizila,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar duma vez:
É só tirar a cortina
Que entra luz nesta escurez.


Cortina de brim caipora,
Com teia caranguejeira
E enfeite ruim de caipira,
Fale fala brasileira
Que você enxerga bonito
Tanta luz nesta capoeira
Tal-e-qual numa gupiara.


Mas gaúcho maranhense
Que pára no Mato Grosso,
Bate este angu de caroço
Ver sopa de caruru;
A vida é mesmo um buraco,
Bobo é quem não é tatu!


Eu sou um escritor difícil,
Porém culpa de quem é!...
Todo difícil é fácil,
Abasta a gente saber.
Bajé, pixé, chué, ôh "xavié"
De tão fácil virou fóssil,
O difícil é aprender!


Virtude de urubutinga
De enxergar tudo de longe!
Não carece vestir tanga
Pra penetrar meu caçanje!
Você sabe o francês "singe"
Mas não sabe o que é guariba?
— Pois é macaco, seu mano,
Que só sabe o que é da estranja.