quarta-feira, 6 de junho de 2012

soneto do amor melhor

Soneto do amor menor
 
Te amo pequeno, de simplicidade
De amor estreito de fechar na mão
De amor discreto solto na canção
Talvez abrace alguma vaidade
 
Amor enfim, que ofertei à tarde
Que é cá por dentro, feito uma oração
Sem inventar-se além do coração
Sabe seu canto certo de humildade
 
Sabe que o nós contém o cada um
Mas também há um nosso amor, comum
Que sabe ser sem precisar de nó
 

Os olhos mistos de constrangimentos
Deste incontido e amplo afinamento
Que de ser grande
, cabe ser menor



05

Guiné da Selva

Dança das caveiras


O imperador e o ritmo
O mago
O cupido
A Psiquê             
 
A sacerdotisa, a imperatriz
O lago             
O marido
O ser
 
Aberto um fogo novo a mente
Um afluente, um sorriso pulsante
 
Cálida rosa desabrocha no plexo
 Cálida rosa desabrocha no plexo
 


G. da Selva
fev. 2009
 
 

devaneios

14.05.2009

“a arma da teoria”, disse aquele cara da Guiné-Bissau, o Amilcar Cabral. acho que era casado. Será que estava cansado?! Coitado... Conheço-o de fotografia. Preto/branca, a foto de época. Achei tê-lo visto em algum estandarte no carnaval vermelho de fevereiro. Acho que foi impressão minha. Eu não o conhecia ainda. Ele não era tão lindo. Lepê Correia pode até ser mais, mas não os vamos comparar. Não compraria os dois de uma vez. O filho do amigo do meu pai, lá de Minas Gerais se chama Amilcar, é um rapaz bem sorridente.

G. da Selva

a índia que há em nós


Lua livre - Trexos Bíblicos


Sangre sangrado sagrado
bárbaro bizarro bizantino
tino tinto divino vinho
corrente cordão
casto cristo coroação
rio de redenção
religião religare
criar de cavidade
caverna que transforma
fato feto forma
fluido informe norma
fio filho flor fauna
caldo caldeira concha
terna transmutação
nutrição de terra
veia veneranda
venérea verdade
viva vitalidade
ciclo calmo corpo
alma lavada
véu vermelho
lua livre

7.6.12
Guiné da Selva

quarta-feira, 29 de junho de 2011

picadeiro sem foco

Picadeiros


São tantos os moços jovens

Percorro como porca, fuçando...

Circulo. Minha vida, lama amálgama.


São tantos os rostos móveis

Persigo o que me incomoda e pulo

Contanto, há uma gama.


A faca tem os dois gumes

Engulo o sopro e não sobra

Falta o ar em altos cumes.


Encontro o cristo em cardumes

Nada e ri à grande obra

Respirando os vagalumes

E as cobras.


Olho o som, escuto os dentes

Sinto as acesas narinas

E aprendo a respirar presentes

Cavalos e bailarinas.


No espelho o palhaço

cola sobrancelhas

preto faz um traço

e o nariz espera as abelhas


Alerta vermelho!

Tudo por aqui caiu doente

A maca leva um macaco

Treinado em chapa quente


Na platéia, calabolsos

Picadeiro, carne e ossos

Monstros, mancos, e o leão


Brancos que são, novos moços,

Posturas, granas nos bolsos

complexos em pulsação.


Vim encontrar o Sr. Perdão!

Antes que o amor se ponha

como às noites se sonha

em sua forma tamanha


Pelo passo febril desta manhã

Quero a verdade medonha

A máscara sem vergonha

da noite senil e vã.


Quero essa flora hipnótica

Química beleza óptica

Quasimudos simulacros


Os meus sapatos de volta

Meus pés de pau, minhas cordas

Meus cachimbos, meus tabacos


Tranquilo, se estou um caco

Feito o macaco da maca

Feito treinado macaco


Tranquilo, se sou uma foca

Esperando o peixe à boca

A equilibrar bola ôca, ou faca


Tranquilo, se sou um bloco

sob as leis desta comarca


Tranquilo, se sou uma barca

Ou arca nas mãos do louco


Tranquilo, se ouço pouco

você é môco...


Sendo porca, dada aos porcos

Pata, pássara, cloaca

No picadeiro sem foco.


Guiné da Selvaladares

Set.2010. recife-várzea.

Baltazar


Cairo, 1920. Encontrei o presente aos pés da escadaria. Mirra e bálsamo. O grupo de ciganos havia partido a pouco, pensei sentir o cheiro de Limale. E a imaginei estando por ali, perto da oliveira, seus calcanhares preciosos e precisos acendendo a terra com sua dança derviche. Sentei em uma pedra à sombra, fechei os olhos e escutei a brisa... A caravana não deve estar longe, pensei.

.....

pelos persistentes


Lindo ver nascendo os pelos das pernas, dos suvacos. A vida persiste, cresce. Cada vez que nascem são outros. Os mesmos.

Guiné da Selva.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

reprodução sem título I

:)
nesse antro comigo observo
as sementes q pesam e transbordam
o q meus pensamentos sempre abordam
como são do desejo um mero servo
no ataque em que vive cada nervo
prenda doce voraz no meu caminho
é a mente de pedra y passarinho
espetando pesares com seus garfos
ninho esse de muitos mafagafos
e onde nascem bem mais mafagafinhos.


guiné da selva.
ônibus - barro macaxeira/várzea,
2 de setembro de 2010

http://cnncba.blogspot.com/2009/10/criancas-negras-usadas-como-iscas-de.html


superou as forças conservadoras que habitavam o jacaré,
superou a criança e o medo depois de muita raiva;
o choro trouxe um rio,
a verdade voltou verde,
trasparente
na penitude da morte.

água e revés.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

saponinas

Esta será a minha primeira publicação na Revista Lunduz. E é com muito prazer que ela seja uma construção coletiva, uma conversa emocionante, terapêutica e poética, cheia de declarações de toda natureza através de trocas de e-mails entre pessoas queridas. Nem todas as coincidências que aconteceram estão contidas nos textos, mas eles falam de conexões entre as experiências dessa constelação que juntos formamos.

Camila

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Minha gente, ontem eu fui na apresentação de Aninha, Carla e Mayra na Livraria Cultura. Elas cantaram Noel Rosa. Depois a gente foi para o novo pina e eu disse a Carla que a música que ela e Aninha cantaram era linda e tinha tudo a ver com elas (a música era "Seja breve"). Ela disse que o Grupo Rumo tinha gravado essa música e eu fiquei dizendo que há muito tempo queria conhecer o Rumo.

Fui procurar hoje na rádio uol e encontrei o cd "Quero passear", que tem tudo a ver com o que eu quero. Botei pra tocar e fui fazer cuscuz. Quando voltei pra o computador estava tocando a música "A incrível história do Dr. Augusto Ruschi, o naturalista e os sapos venenosos". Fiquei hipnotizada e chamei mainha pra escutar, pois ela é ambientalista. Ela gostou mas tinha que fazer o café de manhã e saiu. 

Eu continuei no computador escutando. Dr. Augusto Ruschi amava a natureza e amava beija-flor, mas um dia ele estava na floresta e viu uns sapos. Ele foi estudar esse sapos e os sapos estavam nervosos e envenenaram o doutor Ruschi. Ele tentou de tudo e não conseguiu se desenvenenar.

Nessa parte a letra diz: 



"Nesses casos assim tão graves, só se alguém tiver uma grande 
idéia e pensar uma coisa diferente, e pensar o que pouca gente 
pensa..."



A música vai se tornando mais forte numa pegada de toré e Raquel diz: "que música linda, eu quero passar essa música na mostra de vídeo indígena de Camaragibe". E mainha disse que ia colocar num cd ecológico que ela quer fazer.

A gente já fez um cd ecológico outra vez. Lembro que tinha "Cio da terra" de Milton, "Do vento" e "Debaixo d´água" de Arnaldo, "Sentado na beira do rio" de Erastro e Eddie, “Terra” de Caetano e outras… Esse cd tocou na inauguração da Associação dos Protetores do Meio Ambiente (ASPROMA) do Salgado, bairro bem pobre de Caruaru, há muito tempo. Mainha trabalha na Asproma. Ela me disse que ela já tinha ouvido falar na história de Agusto Ruschi, que aconteceu mesmo.

http://www.radio.uol.com.br/musica/rumo/a-incrivel-historia-do-dr.-augusto-ruschi%2C-o-naturalista-e-os-sapos-venesosos/54150

http://www.mpbnet.com.br/canto.brasileiro/rumo/quero.passear/augusto_raschi.htm

cami

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cami!

Conexões, conexões. A maioria das pessoas que me conhecem sabem que eu tenho um grande problema com os anfíbios. Pavor. Eu atribuo isso a algumas experiências provenientes do meu habitat familiar (psicanálise!!!) - todos os meus familiares, pai e mae, tios e tias por parte de pai têm medo deles, mais especificamente de rãs que sao umas danadas. Na minha casa sempre houve um auê danado na presença desses bichinhos que, sendo do meio urbano, não representam nenhuma ameaça a ninguém. Pois bem, a última experiência que tive com ela foi quando fui à Bonito-PE e fiquei em uma pousada que apareceram duas rãs e um sapo no quarto. Passei a noite em claro, eu e meu semi-quase-atual-ex namorado Ele tentando me acalmar e eu coberta dos pés a cabeça achando, neuroticamente, que o quarto iria a qualquer momento infestar-se de rãs, sapos e afins. Desde aí percebi que eu tinha que tomar alguma atitude enérgica acerca desse fato que amedronta minha vida em certos momentos e que passa a amedrontar a vida dos meus companheiros quando em minha companhia uma rã ou sapo se faz presente.

Comecei a pesquisar sobre os anfíbios como medida terapêutica e de me fazer entendida daquele velha jargão "tu pensas que tens medo dela, mas ela é que tem medo de ti". Ainda não consigo segurar minha histeria diante deles, mas estou melhorando gradualmente. a minha terapia consistia em: diariamente, antes de sair do computador ficar olhando foto de algumas ranzinhas no google imagens. Encontrei cada uma mais linda que a outra, e fui me enamorando delas por elas possuírem um alto nível de diversidade em suas cores e designers bastante arrojados.

Em meio a minha terapia virtualmente-caseira descobri que existe uma linhagem na familia dos anfíbios que é denominada como "cecilideos". O ente mais conhecido deles são as famosas cobras sem cabeças, também conhecidas como "cecílias"; algumas rãs, dependendo de sua anatomia também recebem essa denominação. Esse foi meu mais alto grau de profundidade atingido terapeuticamente.

Eu sou cecília, assim como um dos meus maiores medos. Isso me fez perceber como os nossos medos são partes vicerais do nosso proprio ser, e que é necessario que olhemos para eles como se estivessemos olhando o nosso proprio reflexo. Aprendendo a lidar com nós mesmos é que criamos nossas proteçoes e nos tornamos fortes para enfrentar toda e qualquer ameaça desse mundo que a gente teima em se diferenciar - toda aquela discussao sobre criador e criatura, sujeito e objeto e blablabla.

Para além dessa questão existencial, pude me tornar, infimamente, mais "politicamente correta". Na casa de veraneio da minha família em Itamaracá não deixo que meu pai esquente água para jogar nas rãs que aparecem e em nenhum outro lugar que eu esteja presente elas são mortas, pelo menos não antes que haja um questionamento acerca disso. Meu sentimento em relação ao meu suposto predador não é o desejo de sua morte, mas que convivamos em harmonia.

que adoremos as jias, e as coisas que não são jias, afinal, tudo é sagrado.

acho que essa musica deveria entrar no cd: http://palavraspreguicosas.blogspot.com/2009/01/gnesis.html

beijos,

Cecilia Cecilidea

Camilinha,

A música é realmente linda e o autor foi muito feliz. Feliz também sou eu porque és sensível com as coisas da naturaleza e te emocionas com sinceridade.

Beijos

Mamá

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Cecilídia, vamos expor nossos medos e fazer uma grande imensa terapia de grupo. Nesse momento eu não consigo ver o cursor na tela do computador, de modo que as palavras surgem como em uma mágica. Tenho pensado em como as máquinas têm alma e também são sagradas. Pensei nisso quando fui consertar minha radiola na Rua da Concórdia. Me senti realizando uma missão difícil e que eu mesma tinha que descobrir como se fazia. Hoje em dia não se vende mais radiolas e as peças são difíceis de encontrar. Eu tinha que encontrar uma determinada agulha que não havia em nenhuma daquelas lojas maravilhosas, com aquelas pessoas inteligentíssimas, artesãs, zens budistas. Não havia a tal agulha em canto nenhum. Perguntei quando ela ia chegar e o moço disse que lá pro dia 15 de agosto. Vou esperar. Tenho que ligar para o moço que está com a minha radiola falando nisso. Ele também é muito inteligente. Ele sabe se uma agulha está boa ou não arranhando-a nas costas da mão. Eu lhe perguntei como ele sabia e ele disse "eu conheço". Fiquei pensando em Cida Nogueira, que foi uma das pessoas que mais me ensinou sobre os saberes misteriosos da vida. Hoje eu estava escutando música no sonzinho daqui de casa e queria mudar de cd. Apertei no botão e o cd não saía. Tive que fazer um malabarismo danado de coisa pra o som entender o que eu estava querendo e escrevi isso:

As máquinas também ficam gagás

e como em nossa sociedade a velhice é descartada

nós descartamos as máquinas velhas

mas o que a gente não sabe

é que a gente cria sentimento

por tudo

as máquinas novas no começo

a gente estranha

mas depois a gente

vai criando afeição

mesmo sem saber

cami

Cecilídea, esqueci de dizer que a psicanálise assim como a pajelança é cura, já dizia Lévi-Strauss no seu texto "A eficácia simbólica". Ele fala de como a cura se dá através dos símbolos e que pajelança e psicanálise operam simbolicamente. A arte também. Quando (re)descobrimos os símbolos, o que tenho pensado ser uma religação com a imaginação da criança, tudo se reencanta.

Cami

Ai, Cami e Cecilia!!!

Estou em um momento simples, numa busca intensa e delicada da simplicidade enquanto cura mesmo. Neste movimento vou aprendendo a olhar pra o mundo com calma, tratando com carinho o que me chega. Vou aprendendo a integralidade das coisas, e compreendendo sem que seja preciso desvendar. Buscando a simplicidade aprendo a me aceitar, a não ter vergonha das minhas dúvidas, das minhas maldades, dos meus medos, vou perdendo o medo da imperfeição... É verdade, Cecília, só no reconhecimento, na autoaceitação, é que a gente transcende, é que a gente ganha outra força e constrói um olhar novo sobre tudo, pra seguir aprendendo a ser mais feliz. Amo muito vocês.

Indira

Ai gente, quanta coisa linda que foi escrita por aqui.

É tão bom estar por perto de gente assim, que é levada pelo coração.

Que transforma o medo num conto engraçado, e a máquina velha num ente querido.

Isso é leveza. E é amor.

Sinto que somos os bichinhos e também o próprio Doutor.

Beijos e cheiros

Maira

quinta-feira, 1 de julho de 2010

osso descarnado

lavei todas
as roupas vermelhas no horizonte
pingando nuvem vermelha
um índio descendo da américa do norte
meu parente.

lavei com as mãos vermelhas e estendi
e pingaram na varanda, à parte do céu
eram tenras, as nuvens de invento na várzea velha
e entendi.

lavei com as minhas próprias mãos
pequenas, peças pequenas
de puro sangue
e o varal era a rédea,
e as vestes, um cavalo mudo
e mestiço
que menstruava.
...
eu lavei a roupa
e pretendi
e o peito sujo e dolorido
tossia a corda e paria um potro calado.
...............................................................
que absurdo!
potro albino, com sangue de carneiro, parecia um peixe. pensei que era loucura da minha cabeça, mas mesmo assim continuei a vida; com pouco chegou uma amiga e fomos beber leite na índia da respiração.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

quarta-feira...

O MUSEU DO ESTADO DE PERNAMBUCO, A EMBAIXADA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, A UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, E A REVISTA LUNDUZ CONVIDAM PARA A ABERTURA DAS ESPOSIÇÕES

Legado Sagrado
Exposição fotográfica Edward Curtis.

By Edward Curtis.

Mitos, danças e rituais indígenas
Esposição de objetos e fotografias da Coleção Etnográfica Carlos Estevão.


By Curt Nimuendaju.
www.ufpe.br/carlosestevao/index.php


ABERTURA 12 de maio de 2010, às 19h30. VISITAÇÃO 13 de maio a 13 de junho, de terça a sexta, das 9 às 18h. Sábado e domingo, das 14 às 18.

hasta!

Guiné da Selva.


p.s: com boca livre e imão evento.

sexta-feira, 12 de março de 2010




que posso dizer da infração?
nada tenho.

meu esbugalhado olho tenta refigurar a resposta
ao teu mundo que me empeixa na borda.

eu entendo rápido à maneira maneira que tenho que ter.

eu revivo outro jeito e sigo na rua do sossego.

algo me diz que devo entrar no iraque que há no caminho do meio,
mas não é bem o meio,
ele pende,
e é bom pender
e desfazer as atrocidades do que tem vida própria.

a chegada é sempre a prata,
a casa é sempre o caso,
e essa é a coisa da carta marcada
das coisas que ainda são caminhão no encantamento.

entendo vocês,
e os detesto por instante pouco.

e´louco

mas são uma coisa tão ventre labareda que não há jeito de não ter encanto e terno.

parou e fim,
tudo na transmunhão do milagre cotidiano da fluência.

heheh

eu fico boiando às vezes
com essas coisas que ignoro
no tesão da atenção.

mas a flor vem no fumo.

e como...
e descomo

e intento o senso.

todo o luxo e toda a riqueza estão por dentro
na pulsão de fogo que existe na palha
...
luxo e riqueza estão na palha que se eleve.
da Selva,
do quebra mar gigante.

terça-feira, 9 de março de 2010

raça

http://www.youtube.com/watch?v=VyGGQ1ahsI8

parto de pájaro em plano americano


terceiro olho expandido, nave de extensão. entre os grandes lábios cósmicos com o cheiro a altura dos ombros. guiné inaugurada sobre as escamas dos répteis mutantes. tons de terra e luzidios. pelos ovos visíveis do corpo, alma atômica do condensado. pássara mista das entranhas pretíssimas. encaracolada do ministério transformante.

é ela a grande deusa.

segunda-feira, 8 de março de 2010

azeitona roxa

o oeste salta fumado pela mulher indigena que nos olha de baixo, a femea terra. presente velho no urucum. as mulheres falam de seus sangues, de seus processos acesos de dor, e assim transam a matéria com seus vinhos uterinos. os olhos de lince nas terras negras da noite, nas tendas vermelhas e negras, os olhos coagulados de caça. queremos ensinar os cães, amamenta-los, comungar uivos. queremos despertar nossa consciencia sensitiva de égua, nossa natureza de água. queremos compreender a paúra cavalo, ser a cor cobre de crina pubiana.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

padmassana

veio o velho tremendo e surdo
pela estrada, commedo da morte,
a vida era essa das tentativas,
assim que se aprende de si.

pude a compreenção das ânsias
e as nuvens da goela ficaram densas
achando a situação de filme.

lembrei que faltou olhar nos olhos da raposa,
e dar na clareza dos dentes
a meia lua do povo do rio negro.


http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=13719075

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

sertões de dentro e de fora


Quiero llamarte “abuelo”, “señor”, “padre”, “viejo”, que me parece ser el enseñamiento que careces ahora, entenderse en par con el tiempo cambiante, con los procesos de maduración de la materia en el aire. Se te entiendes así, te aquietas, sin miedo de la muerte, y así, puedes contemplar las rugas que se desceñían en tu piel, las manchas del calor, e los desgastes desenrollados en tus propios caminos, conociendo estómagos de baleas, en revoltosos mares, descubriendo nuevos compuestos, nuevos viejos complexos, vivenciando el ambiente líquido de la amplitud de los sentimientos. Es la hora de reentender los deseos, vivir la muerte de otra manera, y entenderse dentro de la querencia del mundo. Se tienes algo a decir, dime, que estoy a escucharlo, yo, cuando no hablo, es por non tener palabra que ayude. As veces el silencio es bueno en hacer que se hable dentro. Llama atención tuya, enjérgate. Es tu misión ahora, tu augurio, tu señal, tu mejor presagio; tu pasaje, tu miración… la transmutación en pájaro y zorro señora. Solamente así, en el tao, el camino del medio, te quedarás tranquilo y guapo. Solamente así, podrás vivir tuya poesía en el desapego.
La cuestión no es olvidar el niño, el joven, el hombre, es si la comprensión de las presencias todas, el conocimiento arquetípico que te hace sabio hablador e vidente. Es la intimidad con el cantar de las leyendas, la intimidad con el camino, la permisión en parafrasearlo maestramente y en eficacia. Entonces, ejerces tu xamã – ¡cultiva, profesas! – tu hechicero anciano, dale destello para que trabaje a ti, te ocupe, te maestre; que conocerse es conocer tuyo sol de la media noche.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

simone d bom voar


Melhor seria se melhor fosse... Mas como melhor não é, melhor é ser o que se é. Mulher e maravilha!
Emoção ampla com coisa de mulher... Sangue menstrual, mama, leite, ovo... Outras coisas aprendi de o que é ser mulher, (coisas dessas que me instigam o medo e a raiva), vem choro amplo e culpa social do mundo... margaridas elásticas e violetas profundas. Choro o chôro das Marias – é a dimensão da poesia que acontece. E me sinto renovando os tecidos quando lavo os meus panos de sangue.
Não quero olhar o rosto dos meninos e ver o barba azul, (apesar do referencial primeiro ser um papai berbere, que brigava segurando bravo os dois ante bracinhos finos, com olhos de patrão e me sacudindo no ar), quero enxergá-los gente, não capitão, patrão, bom-bom, balão, São João, Frei Damião... – é muito! Tou aprendendo ainda a lidar com o feio e com o belo. Tenho muito medo de ouro que ludibria, de prata Luzia... Meus tios vivem ameaçando de morte as mulheres da família... Mamãe aprendeu cedo a atirar. Pai dela com tanto filho, ela queria o amor. Ela montava cavalo feito índio Norte Americano de filme de faroeste. Cavalo em pêlo – girava pro lado, sumindo dos tiros. Eu, coitadinha, aprendi em casa, tempo de TV, uma sertaneja urbana. Nunca montei cavalo, cedo amei Spike Lee, conflito de cor e dor dentro. Em recife, um tempo desses, dei de ter medo de homem, de carro que passa parando perto, de gente de bicicleta. É muita nóia legítima. Tanta mulher estuprada e morta. Ter medo de gente é muito triste, horrivelmente doloroso, dor e raiva junto... Engasga na goela. Um abismo com o mundo.

Às vezes, numa lindeza, a gente fica seguro feito ar, feito bambuzal, é quando a gente consegue amar o narciso do lago, sendo a gente própria. Quando a gente consegue amar o jacaré de papo e sorriso amarelo.

Um contexto amplo construiu outros sentires sociais em mim, e sendo mulher, sou um pouco essa contradição do que passa a ser subsolo, sinto totalmente essa Proserpina perto.

Sendo mulher/sociedade, o fato é que inda me oprimo muito, sem-querer-querendo, mas tento compreender brincante as condições e os limites existentes assim. E pergunto: Com tantos eus no coração, o que me faz mais forte? So(u)Frida. Compreendo que sofrer pode ser importante, pois pareço crescente sempre mais forte. ,Alimento sentimento tão nuvem, porque só assim se chove, e chover é bom. E, no sol, inda tem arco-íris. É a lida, há de se conhecer o que os contextos causam, para que se possa parábolar com propriedade quando se brinca o tarô com alguém que pede, são os compromissos sociais que a gente vai travando na vida.

Sem perceber essa mulher não ia poder consolá-la, amá-la, tê-la... – raiz, alimento santo, cristal quartzo, cria... – Sábia sabiá.
Se não sofresse mulher, não choraria de graça, ouvindo canções de irmãs...

Dizem que é coisa de geração, que somos na geração, crianças além, criança índigo, tendo o sentimento do mundo, querendo morrer e lunado a morte com amor. Aprendizado lindo. E além, o cinema continua me ensinando. Aprendo a olhar a rua, os olhos e os dedos. Dizem muitas coisas, os dedos dos pés, as orelhas, as olheiras, os enfeites das gentes, amuletos e plásticos, as lidas todas. Tento ouvir... e são tantos os presságios, sempre bom quando abrimos as janelas.

Pois é, não quero nem preciso mais ficar chantageando papai e mamãe, tantos limite já têm – os perdôo e pronto! Posso a psicanálise mais certa, compreensiva ampla. liberdade, bicho! Bicho gente é doideira mesmo. E a palavra pode ser um remédio bonito, canto soante, colo mole... e trazer choro. Aí passo: sou filha minha pequena, me olhando dentro, com a cabra, com a cadela... – São: os bichos em casa, e os alunos de minha mãe – me trouxeram uma generosidade qualquer, que fui reaprendendo com o tempo... Numa usina velha, num passado perto, lembro da menina, e os olhos são os mesmos, cheios de medo, e tão lindos espelhos e amplos. São olhos das palestinazinhas, mesmos, e encontro em tantos, e é o encontro quase sempre uma temperança alando. Não é difícil lembrar que a menina está perto, – apesar dos seios e do bucho, dos pelos e do sexo reentendido, dos longos cabelos – a menina está. Sábia e zéfira. Fica me azucrinando o juízo pra que eu a veja, compre, cuide, acarinhe. – Ai que chantagista de merda acabo sendo às vezes! Quero amor pra menina e esqueço-me de dar. Fico doendo querendo o cuidado dela... E ela é menina, só brinca, não sente dor assim como eu, se sente, sabe chorar, chora e pronto. É fácil, sente dor quando vem – a dor passa – ela briga e esperneia e põe pra fora. Aprendeu com o pai a controlar a cócega logo cedo, respirando fundo e pensando num cavalo correndo de crina no vento. A menina ficou estranha, sem sentir cócegas, era uma criança tranqüila, boa, até a separação dos pais... – danem-se, quero continuar abrindo escalas e pulando elásticos! Livre livre livre! Foi bom morar com a mãe no sertão, ficou criança de rua, a casa era da mãe Joana, sendo proibido proibir. Mais cinema tem nisso. Sem pai patrão.

Ficou guardando um pai de lembrança, que lá longe guardou também. As linhas são meio tortas, mas a escrita é certa, tem sentido, tudo – tem dito a física moderna.

Tá hoje a menina querendo toque, atenção, brincar na rua, gritar com trovão de chuva e andar de cavalo. E eu sempre morgando ela. Chatinha e chatíssima.

Mas é o tempo, e acordam nela, mesmo na apatia, outros lados. E entende: sendo mulher é índia, é preta e planta, proletária, diabo, cobra, criança, escravo, e outro(s). Tudo que essa doidicinha social foi de medo trancando na caixa de Pandora.



A. Galvão.
Pela madrugada de 8 de dezembro de 2009. Várzea.

sábado, 21 de novembro de 2009

Lundu e totó.

tempo ó vovÓ
tempó, vô vÔ
tempóvÓ
temporal

óò

ôvÓvó
ôvOvô

Ôô

viVó de bicó
vivo ave de bico bicó

amuando bezerró
fazendo Lundu e totó

enfezado enfezadó
feito ave, avé
cocando cocó

carococando caca cacá

de duro cocô de cacá.

tempOral.



Anaíra Mahin
Várzea – Recife
Novembro de 2009

a peste


coisa viva.


Ave! O sentimento.


Tu tens tuas razões, eu tenho as minhas
Sei que o sol, nasce sempre, a lua, igual
Cada dia, o sol mesmo, um raio novo
Cada breu, mesma lua, nunca a tal.

Supuseste um modelo perdurante
– Que não migre, não mude, nem sucumba.
Não entendes que a vida é uma sorte,
Que a gente interfere, mas não funda!?!...

Branca hora, e o branco encantamento,
Que cantava em nós dois, se redefine
– Transformou-se, mutante, o sentimento.

No entanto, compreendo, sem tormento.
Se rejeitas, amor, que a dor te ensine!
Cedo encontras na vida um outro invento.


Anaíra Valadares.
Recife, outubro de 2009

terça-feira, 3 de novembro de 2009

TIM MAIA, o filme.

O outro lado na Moeda Filme de curta metragem que retrata a história se "Tim Maia", um barraqueiro que vê grande parte do que construiu na vida se esvair por conta da implementação de uma política pública.O filme se passa no Bairro do Recife Antigo, Recife, PE. Duração: 09:42
disponível no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=ZN0oh5rLupU


Abaixo, trecho de entrevista com "Tim Maia", transcrita por Nilvânia Barros, feita por nós.


"Eu não nasci na cidade, mas no município de Rio Formoso... eu andei muito, num tive escola, só tive dois anos de escola. Ai meu paicolocou a gente pra morar nos matos novamente. Ai quando eu vim sairde dentro dos matos eu já estava com 17 anos, e então eu procurei acidade. Passei a morar na cidade de Ipojuca, morei lá uns tempos, edepois vim pra cidade... Cheguei aqui em setenta e um a setenta edois....e tô por aqui, tô por aqui bolando. Nos anos noventa, vim doCais de Santa Rita do Bairro de São José, ai coloquei esse comércioaqui. Aqui eu trabalhei dezesseis anos, agora que já faz um ano que aprefeitura tirou, eu tô voando, como diz a história. Mas de qualquerjeito eu ainda tô por aqui.
Antes da revitalização eu empregava gente, porque eu tinha barraca,antes eu trabalhava com quatro pessoas, agora três foi pra fora e eutô com apenas um, trabalhando dois dias por semana. É o resultado quedeu essa revitalização. Eles avisam logo: tem tantas horas pra sair,pois senão sair nós vamos levar tudo. Mesmo assim eles fazem. Dáaquele tempo pra os indivíduo sair, senão sair eles chega e leva tudo,prende tudo... é assim mesmo. Ninguém resistiu, a gente tentemosresistir, mais não tem fundamento resistir.
Eu agora tô guardando a carroça e as cadeiras lá, em umestacionamento que o colega me deu uma colher de chá, né... até quandoeles quiserem. Porque depois que eles dizerem não guarde mais, eu nãotenho mais onde guardar. Antigamente eu guardava tudo dentro dabarraca... O único que tá aqui sou eu, porque eu não tenho pra ondeficar. Tentei ir em outro canto, mas não deu. Comprei uma posse lá noCais de Santa Rita, mas ai perdi a posse, perdi meu dinheiro, perdifoi tudo. Tive que ficar aqui mesmo. Disseram pra ir pro Cais de SantaRita... Mas como? Chega lá eu não se tem fundamento. Local tem, masnão se tem fundamento pra se ficar ali. Porque os pontos melhoresestão ocupados, e os pontos lá pra trás vai se vender o quê ali? Alinão adianta, vai pra lá, passa o dia todinho lá pra vender doisrefrigerantes. Como é que vai comer do lucro de dois refrigerantes?
De cultural eu não tô vendo nada, vi somente foi um atraso para obairro e não um movimento cultural. Pode ter um movimento culturalquando chega navio de passageiro aí, tá, aí faz movimento pra taxista,movimento para ônibus turista, mas para o povo do bairro, nenhum."

domingo, 1 de novembro de 2009

Povo amado,
compartilho cá um editorialzim de fim, pra começo de história.
com_um beiju.
Querida Lunduz de outubro,

Estabeleço essa comunicação para que se saiba um pouco a escala tonal que esse mês foi conseguindo, desde as ciganas velhas que apareceram e as velhas ciganas que teimam em se eremitar, às dicas 'acadêmicas' do professor Michelotto, que têm sido de suma importância para que as veias abasteçam as canetas imateriais da prosa poética, (nos 5 minutos de escrita de cada dia, que venho tentando feliz). AgradeCida, ainda, ao contato herança afeto que me permitiu mais proximidade com o entendimento holístico dos almanaques, ampliando minha maneira almanáquica de entender o mundo, e a abertura de me entender mais dentro dele, sendo uma mãe menos carente e mais amorosa, pois que há A poesia em todos os lugares, e toda ela é o espelho sincrônico, (é uma guinéz). Já, quanto aos contornos e às posturas celibáticas, pinto as manhãs celestes no emaranhado do trãnsito e em terras estreladas do Centro-Oeste brasileiro. Por fim.. durmo pensando ainda, que até mesmo quando penso nos jacarés filhos de aves - aqueles que comem as mães na adolescência, os jacaré edipianos, imperfeitos, sorumbáticos - penso em como é sempre bom o encontro, e que nunca é 'des' .
10.10.2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

peixa-palmeira

Peixa.
À Camila Santana

...ela é um mar
que na praia vai e vem
que entre os dedos some
que deixa nos dedos o sal.

é uma flor
flor amarelinha
flor mirando o sol
uma camomila.

é uma lua
uma loba nua
lobinha criança
mastigando a pedra

é areia fofa
que a gente deita
e inda dorme um sono
sob o céu da boca.

ela é um "peixão"
como diz o povo.

uma vênusinha
ela é maré.


28 de outubro de 2009
vázea.
anaíra mahin

terça-feira, 27 de outubro de 2009

nota de esclarecimento:

Não acho que a história de Eléctra tenha nada que ver com a história de Édipo... Foi besteira de Jung, e é porque gosto muito dele, quando levanta ao fenomeno da sincronicidade, mas, a estória de Édipo, é muito melhor que a de Eléctra, e isso não é inveja do falo, sr. Freud, é só que não quero ter complexo de Eléctra, quero uma estóriazinha melhor inventada, com cegueiras e etecéteras. Posso até mesclar tudo... mas meu complexo é de Édipo!


Guiné da Selva,
set, 2009.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

trexxo bíblico II

Oásis meu,

Muitos solstícios se passaram. Os guardo, todos.
Há um tempo arenoso, nos encontramos naquela esquina etérea. Expliquei-te do quarto crescente que nos habitava com um gesto longe. Eram naqueles momentos que os joelhos dos camelos podiam encostar a brancura quente e movediça do chão informe. Naquelas suspensões, em que se arriavam os pertences coloridos.

Lembro. Nas soltas tendas, as mulheres cuidavam em colorir os olhos, verdes -amendoados. Os olhos pretos. Eu te ofertei os dois que eu tinha. Comprastes logo. Mirando firme o meu mormaço que recebia a tua paga. Pagou na moeda mesma, e estrelada, doirada, solar. Osíris.
(Pensei... - É impressionante como as crianças não têm chorado por aqui). Um vento soprou o tecido que cobria tua barba...
Percebi as marcas nas tuas maças... Eram as tatuagens de teu povo.


Cap. X
Livro do Exodo...
As cartas e as matemáticas.