segunda-feira, 10 de setembro de 2012

vulcano

Filho de mãe solo
Vulcano veio da vulva
Embebido de arsênio 
Ficou Hefaístos das faíscas
E ficou manco
Feito aquele chapeleiro
Maluco de mecúrio
De Lewis Carrol
Ferreiro de pés virados
Feito o curupira
Forjando o passo da forja
Da arte do ferro
Do fogo cigano
Vulcano, Deus humanizado
manco e curvado
Labor indevido
Madrasta eugenia
Que cria e sacode a cria
Do Olimpo fascista 
Um dia a conta chega
Deus-gente se vinga
Vergonha? Culpa...
Revolta choro
íntimo tesouro 
em terra distante...
Na construção do retiro
Dioniso, um Deus vivente
Raio de luz no reduto
Bacante, divino fruto
Deus complexo
Que compreende diverso
vinho e verso 
Divino 
Na festa que Deus confia
Alegria alegoria
Sorte sátira surtia
- cocho, corcunda, marcado...
Por dentro, metal pesado
Um Deus vulcão
Cão de lava
Raio da rocha fundida
forja, ferro, erupção
Vulcano, o Deus Vulcão
Vulgo, Cão
Deus forjador...
Dois Deuses nus
Cão e bode
berro absoluto explode
Pelo catártico néctar
Arteiros tortos
Deus vivo é bicho solto
abortos renascidos
absurdos assumidos
Na transluzencia da Uva
Divinos filhos da Vulva




Maio, 2011

sábado, 1 de setembro de 2012

Pra Gabriela latina-americana no meu peito


morena linda
uma dançarina
no universo a mais
tudo todo instante

morena no futuro
teu presente é teu
drama, fardo
fundado no breu

tua alegria, bem sei
tua verdade de lei
nem sempre alegre
tua verdade é  raiz

assim, morena,
sina assim sofrida
nem combina
na dor agreste

uma passagem poente
prontamente paisagem
no leste da dor
na voz da viagem

morena America
tem signo de singular
complexidade rica

tua grande angular
tem trato no retrato
de todo o encontro

não esqueça disso

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

sereias



às Senhoras (sereias)

baixou
fiquei alta com elas me abençoando
de amor de mar
de rio
dançam que é uma beleza
lindas e amorosas
recebi as senhoras
no derradeiro toque
importante encontrar
sereias

terça-feira, 21 de agosto de 2012


poema pra Ana Carolina Martins nas manhã católicas da filosofia.

bom passar contigo pelos grotões do labirinto de jah
bom tua vizinhança
tua dança na minha
tua crença se desfazendo em nietzsche

da cabeça aos pés
teu ódio virando amor
virando teologia do cotidiano

na teleologia da fruição de sonar



domingo, 19 de agosto de 2012

Leo pardo

Leo pardo

leo pardo brincava enquanto
olhos acesos de ônix, tilintar 
caminhava a inocência imberbe
florestas de rédea
casco duro batucando azulejo
hora certa do ocaso
desenho do ocaso
leo pardo pintava o ocaso na barba
pintava a noite na alvenaria
a barba na tenda
olho de fruta noturna
tecido bérbere



terça-feira, 24 de julho de 2012

& Bíblico

Tu queria? Queria... Tu queria? Queria! Foi nesse tom de galhufa, baixo, no pe do ouvido... Disse pegando onde devia e despegando. Sorte passageira, cigana, desenganada. Luz edênica. Quase idêntico ao outro dia. Uma cumplicidade momentânea antiga. Quarenta dias, mil e uma noites, quarenta ladroes... Caminho comum, quase diria se chutasse. Há além, no entanto não se abre mão do contexto. Dez filhos, esposas, netos... Caminhos...

^^



No coletivo
Leio no assento
Caio na escrita
criativa
Ventilação de teto...
Saída de emergência!
portas e janelas...
Parada solicitada!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

soneto do amor melhor

Soneto do amor menor
 
Te amo pequeno, de simplicidade
De amor estreito de fechar na mão
De amor discreto solto na canção
Talvez abrace alguma vaidade
 
Amor enfim, que ofertei à tarde
Que é cá por dentro, feito uma oração
Sem inventar-se além do coração
Sabe seu canto certo de humildade
 
Sabe que o nós contém o cada um
Mas também há um nosso amor, comum
Que sabe ser sem precisar de nó
 

Os olhos mistos de constrangimentos
Deste incontido e amplo afinamento
Que de ser grande
, cabe ser menor



05

Guiné da Selva

Dança das caveiras


O imperador e o ritmo
O mago
O cupido
A Psiquê             
 
A sacerdotisa, a imperatriz
O lago             
O marido
O ser
 
Aberto um fogo novo a mente
Um afluente, um sorriso pulsante
 
Cálida rosa desabrocha no plexo
 Cálida rosa desabrocha no plexo
 


G. da Selva
fev. 2009
 
 

devaneios

14.05.2009

“a arma da teoria”, disse aquele cara da Guiné-Bissau, o Amilcar Cabral. acho que era casado. Será que estava cansado?! Coitado... Conheço-o de fotografia. Preto/branca, a foto de época. Achei tê-lo visto em algum estandarte no carnaval vermelho de fevereiro. Acho que foi impressão minha. Eu não o conhecia ainda. Ele não era tão lindo. Lepê Correia pode até ser mais, mas não os vamos comparar. Não compraria os dois de uma vez. O filho do amigo do meu pai, lá de Minas Gerais se chama Amilcar, é um rapaz bem sorridente.

G. da Selva

a índia que há em nós


Lua livre - Trexos Bíblicos


Sangre sangrado sagrado
bárbaro bizarro bizantino
tino tinto divino vinho
corrente cordão
casto cristo coroação
rio de redenção
religião religare
criar de cavidade
caverna que transforma
fato feto forma
fluido informe norma
fio filho flor fauna
caldo caldeira concha
terna transmutação
nutrição de terra
veia veneranda
venérea verdade
viva vitalidade
ciclo calmo corpo
alma lavada
véu vermelho
lua livre

7.6.12
Guiné da Selva

quarta-feira, 29 de junho de 2011

picadeiro sem foco

Picadeiros


São tantos os moços jovens

Percorro como porca, fuçando...

Circulo. Minha vida, lama amálgama.


São tantos os rostos móveis

Persigo o que me incomoda e pulo

Contanto, há uma gama.


A faca tem os dois gumes

Engulo o sopro e não sobra

Falta o ar em altos cumes.


Encontro o cristo em cardumes

Nada e ri à grande obra

Respirando os vagalumes

E as cobras.


Olho o som, escuto os dentes

Sinto as acesas narinas

E aprendo a respirar presentes

Cavalos e bailarinas.


No espelho o palhaço

cola sobrancelhas

preto faz um traço

e o nariz espera as abelhas


Alerta vermelho!

Tudo por aqui caiu doente

A maca leva um macaco

Treinado em chapa quente


Na platéia, calabolsos

Picadeiro, carne e ossos

Monstros, mancos, e o leão


Brancos que são, novos moços,

Posturas, granas nos bolsos

complexos em pulsação.


Vim encontrar o Sr. Perdão!

Antes que o amor se ponha

como às noites se sonha

em sua forma tamanha


Pelo passo febril desta manhã

Quero a verdade medonha

A máscara sem vergonha

da noite senil e vã.


Quero essa flora hipnótica

Química beleza óptica

Quasimudos simulacros


Os meus sapatos de volta

Meus pés de pau, minhas cordas

Meus cachimbos, meus tabacos


Tranquilo, se estou um caco

Feito o macaco da maca

Feito treinado macaco


Tranquilo, se sou uma foca

Esperando o peixe à boca

A equilibrar bola ôca, ou faca


Tranquilo, se sou um bloco

sob as leis desta comarca


Tranquilo, se sou uma barca

Ou arca nas mãos do louco


Tranquilo, se ouço pouco

você é môco...


Sendo porca, dada aos porcos

Pata, pássara, cloaca

No picadeiro sem foco.


Guiné da Selvaladares

Set.2010. recife-várzea.

Baltazar


Cairo, 1920. Encontrei o presente aos pés da escadaria. Mirra e bálsamo. O grupo de ciganos havia partido a pouco, pensei sentir o cheiro de Limale. E a imaginei estando por ali, perto da oliveira, seus calcanhares preciosos e precisos acendendo a terra com sua dança derviche. Sentei em uma pedra à sombra, fechei os olhos e escutei a brisa... A caravana não deve estar longe, pensei.

.....

pelos persistentes


Lindo ver nascendo os pelos das pernas, dos suvacos. A vida persiste, cresce. Cada vez que nascem são outros. Os mesmos.

Guiné da Selva.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

reprodução sem título I

:)
nesse antro comigo observo
as sementes q pesam e transbordam
o q meus pensamentos sempre abordam
como são do desejo um mero servo
no ataque em que vive cada nervo
prenda doce voraz no meu caminho
é a mente de pedra y passarinho
espetando pesares com seus garfos
ninho esse de muitos mafagafos
e onde nascem bem mais mafagafinhos.


guiné da selva.
ônibus - barro macaxeira/várzea,
2 de setembro de 2010

http://cnncba.blogspot.com/2009/10/criancas-negras-usadas-como-iscas-de.html


superou as forças conservadoras que habitavam o jacaré,
superou a criança e o medo depois de muita raiva;
o choro trouxe um rio,
a verdade voltou verde,
trasparente
na penitude da morte.

água e revés.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

saponinas

Esta será a minha primeira publicação na Revista Lunduz. E é com muito prazer que ela seja uma construção coletiva, uma conversa emocionante, terapêutica e poética, cheia de declarações de toda natureza através de trocas de e-mails entre pessoas queridas. Nem todas as coincidências que aconteceram estão contidas nos textos, mas eles falam de conexões entre as experiências dessa constelação que juntos formamos.

Camila

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Minha gente, ontem eu fui na apresentação de Aninha, Carla e Mayra na Livraria Cultura. Elas cantaram Noel Rosa. Depois a gente foi para o novo pina e eu disse a Carla que a música que ela e Aninha cantaram era linda e tinha tudo a ver com elas (a música era "Seja breve"). Ela disse que o Grupo Rumo tinha gravado essa música e eu fiquei dizendo que há muito tempo queria conhecer o Rumo.

Fui procurar hoje na rádio uol e encontrei o cd "Quero passear", que tem tudo a ver com o que eu quero. Botei pra tocar e fui fazer cuscuz. Quando voltei pra o computador estava tocando a música "A incrível história do Dr. Augusto Ruschi, o naturalista e os sapos venenosos". Fiquei hipnotizada e chamei mainha pra escutar, pois ela é ambientalista. Ela gostou mas tinha que fazer o café de manhã e saiu. 

Eu continuei no computador escutando. Dr. Augusto Ruschi amava a natureza e amava beija-flor, mas um dia ele estava na floresta e viu uns sapos. Ele foi estudar esse sapos e os sapos estavam nervosos e envenenaram o doutor Ruschi. Ele tentou de tudo e não conseguiu se desenvenenar.

Nessa parte a letra diz: 



"Nesses casos assim tão graves, só se alguém tiver uma grande 
idéia e pensar uma coisa diferente, e pensar o que pouca gente 
pensa..."



A música vai se tornando mais forte numa pegada de toré e Raquel diz: "que música linda, eu quero passar essa música na mostra de vídeo indígena de Camaragibe". E mainha disse que ia colocar num cd ecológico que ela quer fazer.

A gente já fez um cd ecológico outra vez. Lembro que tinha "Cio da terra" de Milton, "Do vento" e "Debaixo d´água" de Arnaldo, "Sentado na beira do rio" de Erastro e Eddie, “Terra” de Caetano e outras… Esse cd tocou na inauguração da Associação dos Protetores do Meio Ambiente (ASPROMA) do Salgado, bairro bem pobre de Caruaru, há muito tempo. Mainha trabalha na Asproma. Ela me disse que ela já tinha ouvido falar na história de Agusto Ruschi, que aconteceu mesmo.

http://www.radio.uol.com.br/musica/rumo/a-incrivel-historia-do-dr.-augusto-ruschi%2C-o-naturalista-e-os-sapos-venesosos/54150

http://www.mpbnet.com.br/canto.brasileiro/rumo/quero.passear/augusto_raschi.htm

cami

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cami!

Conexões, conexões. A maioria das pessoas que me conhecem sabem que eu tenho um grande problema com os anfíbios. Pavor. Eu atribuo isso a algumas experiências provenientes do meu habitat familiar (psicanálise!!!) - todos os meus familiares, pai e mae, tios e tias por parte de pai têm medo deles, mais especificamente de rãs que sao umas danadas. Na minha casa sempre houve um auê danado na presença desses bichinhos que, sendo do meio urbano, não representam nenhuma ameaça a ninguém. Pois bem, a última experiência que tive com ela foi quando fui à Bonito-PE e fiquei em uma pousada que apareceram duas rãs e um sapo no quarto. Passei a noite em claro, eu e meu semi-quase-atual-ex namorado Ele tentando me acalmar e eu coberta dos pés a cabeça achando, neuroticamente, que o quarto iria a qualquer momento infestar-se de rãs, sapos e afins. Desde aí percebi que eu tinha que tomar alguma atitude enérgica acerca desse fato que amedronta minha vida em certos momentos e que passa a amedrontar a vida dos meus companheiros quando em minha companhia uma rã ou sapo se faz presente.

Comecei a pesquisar sobre os anfíbios como medida terapêutica e de me fazer entendida daquele velha jargão "tu pensas que tens medo dela, mas ela é que tem medo de ti". Ainda não consigo segurar minha histeria diante deles, mas estou melhorando gradualmente. a minha terapia consistia em: diariamente, antes de sair do computador ficar olhando foto de algumas ranzinhas no google imagens. Encontrei cada uma mais linda que a outra, e fui me enamorando delas por elas possuírem um alto nível de diversidade em suas cores e designers bastante arrojados.

Em meio a minha terapia virtualmente-caseira descobri que existe uma linhagem na familia dos anfíbios que é denominada como "cecilideos". O ente mais conhecido deles são as famosas cobras sem cabeças, também conhecidas como "cecílias"; algumas rãs, dependendo de sua anatomia também recebem essa denominação. Esse foi meu mais alto grau de profundidade atingido terapeuticamente.

Eu sou cecília, assim como um dos meus maiores medos. Isso me fez perceber como os nossos medos são partes vicerais do nosso proprio ser, e que é necessario que olhemos para eles como se estivessemos olhando o nosso proprio reflexo. Aprendendo a lidar com nós mesmos é que criamos nossas proteçoes e nos tornamos fortes para enfrentar toda e qualquer ameaça desse mundo que a gente teima em se diferenciar - toda aquela discussao sobre criador e criatura, sujeito e objeto e blablabla.

Para além dessa questão existencial, pude me tornar, infimamente, mais "politicamente correta". Na casa de veraneio da minha família em Itamaracá não deixo que meu pai esquente água para jogar nas rãs que aparecem e em nenhum outro lugar que eu esteja presente elas são mortas, pelo menos não antes que haja um questionamento acerca disso. Meu sentimento em relação ao meu suposto predador não é o desejo de sua morte, mas que convivamos em harmonia.

que adoremos as jias, e as coisas que não são jias, afinal, tudo é sagrado.

acho que essa musica deveria entrar no cd: http://palavraspreguicosas.blogspot.com/2009/01/gnesis.html

beijos,

Cecilia Cecilidea

Camilinha,

A música é realmente linda e o autor foi muito feliz. Feliz também sou eu porque és sensível com as coisas da naturaleza e te emocionas com sinceridade.

Beijos

Mamá

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Cecilídia, vamos expor nossos medos e fazer uma grande imensa terapia de grupo. Nesse momento eu não consigo ver o cursor na tela do computador, de modo que as palavras surgem como em uma mágica. Tenho pensado em como as máquinas têm alma e também são sagradas. Pensei nisso quando fui consertar minha radiola na Rua da Concórdia. Me senti realizando uma missão difícil e que eu mesma tinha que descobrir como se fazia. Hoje em dia não se vende mais radiolas e as peças são difíceis de encontrar. Eu tinha que encontrar uma determinada agulha que não havia em nenhuma daquelas lojas maravilhosas, com aquelas pessoas inteligentíssimas, artesãs, zens budistas. Não havia a tal agulha em canto nenhum. Perguntei quando ela ia chegar e o moço disse que lá pro dia 15 de agosto. Vou esperar. Tenho que ligar para o moço que está com a minha radiola falando nisso. Ele também é muito inteligente. Ele sabe se uma agulha está boa ou não arranhando-a nas costas da mão. Eu lhe perguntei como ele sabia e ele disse "eu conheço". Fiquei pensando em Cida Nogueira, que foi uma das pessoas que mais me ensinou sobre os saberes misteriosos da vida. Hoje eu estava escutando música no sonzinho daqui de casa e queria mudar de cd. Apertei no botão e o cd não saía. Tive que fazer um malabarismo danado de coisa pra o som entender o que eu estava querendo e escrevi isso:

As máquinas também ficam gagás

e como em nossa sociedade a velhice é descartada

nós descartamos as máquinas velhas

mas o que a gente não sabe

é que a gente cria sentimento

por tudo

as máquinas novas no começo

a gente estranha

mas depois a gente

vai criando afeição

mesmo sem saber

cami

Cecilídea, esqueci de dizer que a psicanálise assim como a pajelança é cura, já dizia Lévi-Strauss no seu texto "A eficácia simbólica". Ele fala de como a cura se dá através dos símbolos e que pajelança e psicanálise operam simbolicamente. A arte também. Quando (re)descobrimos os símbolos, o que tenho pensado ser uma religação com a imaginação da criança, tudo se reencanta.

Cami

Ai, Cami e Cecilia!!!

Estou em um momento simples, numa busca intensa e delicada da simplicidade enquanto cura mesmo. Neste movimento vou aprendendo a olhar pra o mundo com calma, tratando com carinho o que me chega. Vou aprendendo a integralidade das coisas, e compreendendo sem que seja preciso desvendar. Buscando a simplicidade aprendo a me aceitar, a não ter vergonha das minhas dúvidas, das minhas maldades, dos meus medos, vou perdendo o medo da imperfeição... É verdade, Cecília, só no reconhecimento, na autoaceitação, é que a gente transcende, é que a gente ganha outra força e constrói um olhar novo sobre tudo, pra seguir aprendendo a ser mais feliz. Amo muito vocês.

Indira

Ai gente, quanta coisa linda que foi escrita por aqui.

É tão bom estar por perto de gente assim, que é levada pelo coração.

Que transforma o medo num conto engraçado, e a máquina velha num ente querido.

Isso é leveza. E é amor.

Sinto que somos os bichinhos e também o próprio Doutor.

Beijos e cheiros

Maira

quinta-feira, 1 de julho de 2010

osso descarnado

lavei todas
as roupas vermelhas no horizonte
pingando nuvem vermelha
um índio descendo da américa do norte
meu parente.

lavei com as mãos vermelhas e estendi
e pingaram na varanda, à parte do céu
eram tenras, as nuvens de invento na várzea velha
e entendi.

lavei com as minhas próprias mãos
pequenas, peças pequenas
de puro sangue
e o varal era a rédea,
e as vestes, um cavalo mudo
e mestiço
que menstruava.
...
eu lavei a roupa
e pretendi
e o peito sujo e dolorido
tossia a corda e paria um potro calado.
...............................................................
que absurdo!
potro albino, com sangue de carneiro, parecia um peixe. pensei que era loucura da minha cabeça, mas mesmo assim continuei a vida; com pouco chegou uma amiga e fomos beber leite na índia da respiração.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

quarta-feira...

O MUSEU DO ESTADO DE PERNAMBUCO, A EMBAIXADA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, A UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, E A REVISTA LUNDUZ CONVIDAM PARA A ABERTURA DAS ESPOSIÇÕES

Legado Sagrado
Exposição fotográfica Edward Curtis.

By Edward Curtis.

Mitos, danças e rituais indígenas
Esposição de objetos e fotografias da Coleção Etnográfica Carlos Estevão.


By Curt Nimuendaju.
www.ufpe.br/carlosestevao/index.php


ABERTURA 12 de maio de 2010, às 19h30. VISITAÇÃO 13 de maio a 13 de junho, de terça a sexta, das 9 às 18h. Sábado e domingo, das 14 às 18.

hasta!

Guiné da Selva.


p.s: com boca livre e imão evento.

sexta-feira, 12 de março de 2010




que posso dizer da infração?
nada tenho.

meu esbugalhado olho tenta refigurar a resposta
ao teu mundo que me empeixa na borda.

eu entendo rápido à maneira maneira que tenho que ter.

eu revivo outro jeito e sigo na rua do sossego.

algo me diz que devo entrar no iraque que há no caminho do meio,
mas não é bem o meio,
ele pende,
e é bom pender
e desfazer as atrocidades do que tem vida própria.

a chegada é sempre a prata,
a casa é sempre o caso,
e essa é a coisa da carta marcada
das coisas que ainda são caminhão no encantamento.

entendo vocês,
e os detesto por instante pouco.

e´louco

mas são uma coisa tão ventre labareda que não há jeito de não ter encanto e terno.

parou e fim,
tudo na transmunhão do milagre cotidiano da fluência.

heheh

eu fico boiando às vezes
com essas coisas que ignoro
no tesão da atenção.

mas a flor vem no fumo.

e como...
e descomo

e intento o senso.

todo o luxo e toda a riqueza estão por dentro
na pulsão de fogo que existe na palha
...
luxo e riqueza estão na palha que se eleve.
da Selva,
do quebra mar gigante.

terça-feira, 9 de março de 2010

raça

http://www.youtube.com/watch?v=VyGGQ1ahsI8

parto de pájaro em plano americano


terceiro olho expandido, nave de extensão. entre os grandes lábios cósmicos com o cheiro a altura dos ombros. guiné inaugurada sobre as escamas dos répteis mutantes. tons de terra e luzidios. pelos ovos visíveis do corpo, alma atômica do condensado. pássara mista das entranhas pretíssimas. encaracolada do ministério transformante.

é ela a grande deusa.

segunda-feira, 8 de março de 2010

azeitona roxa

o oeste salta fumado pela mulher indigena que nos olha de baixo, a femea terra. presente velho no urucum. as mulheres falam de seus sangues, de seus processos acesos de dor, e assim transam a matéria com seus vinhos uterinos. os olhos de lince nas terras negras da noite, nas tendas vermelhas e negras, os olhos coagulados de caça. queremos ensinar os cães, amamenta-los, comungar uivos. queremos despertar nossa consciencia sensitiva de égua, nossa natureza de água. queremos compreender a paúra cavalo, ser a cor cobre de crina pubiana.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

padmassana

veio o velho tremendo e surdo
pela estrada, commedo da morte,
a vida era essa das tentativas,
assim que se aprende de si.

pude a compreenção das ânsias
e as nuvens da goela ficaram densas
achando a situação de filme.

lembrei que faltou olhar nos olhos da raposa,
e dar na clareza dos dentes
a meia lua do povo do rio negro.


http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=13719075

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

sertões de dentro e de fora


Quiero llamarte “abuelo”, “señor”, “padre”, “viejo”, que me parece ser el enseñamiento que careces ahora, entenderse en par con el tiempo cambiante, con los procesos de maduración de la materia en el aire. Se te entiendes así, te aquietas, sin miedo de la muerte, y así, puedes contemplar las rugas que se desceñían en tu piel, las manchas del calor, e los desgastes desenrollados en tus propios caminos, conociendo estómagos de baleas, en revoltosos mares, descubriendo nuevos compuestos, nuevos viejos complexos, vivenciando el ambiente líquido de la amplitud de los sentimientos. Es la hora de reentender los deseos, vivir la muerte de otra manera, y entenderse dentro de la querencia del mundo. Se tienes algo a decir, dime, que estoy a escucharlo, yo, cuando no hablo, es por non tener palabra que ayude. As veces el silencio es bueno en hacer que se hable dentro. Llama atención tuya, enjérgate. Es tu misión ahora, tu augurio, tu señal, tu mejor presagio; tu pasaje, tu miración… la transmutación en pájaro y zorro señora. Solamente así, en el tao, el camino del medio, te quedarás tranquilo y guapo. Solamente así, podrás vivir tuya poesía en el desapego.
La cuestión no es olvidar el niño, el joven, el hombre, es si la comprensión de las presencias todas, el conocimiento arquetípico que te hace sabio hablador e vidente. Es la intimidad con el cantar de las leyendas, la intimidad con el camino, la permisión en parafrasearlo maestramente y en eficacia. Entonces, ejerces tu xamã – ¡cultiva, profesas! – tu hechicero anciano, dale destello para que trabaje a ti, te ocupe, te maestre; que conocerse es conocer tuyo sol de la media noche.