segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Raínha
vulcano
forja, ferro, erupção
sábado, 1 de setembro de 2012
Pra Gabriela latina-americana no meu peito
não esqueça disso
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
sereias
terça-feira, 21 de agosto de 2012
domingo, 19 de agosto de 2012
Leo pardo
leo pardo brincava enquanto
terça-feira, 24 de julho de 2012
& Bíblico
^^
No coletivo
Leio no assento
Caio na escrita
criativa
Ventilação de teto...
Saída de emergência!
portas e janelas...
Parada solicitada!
quarta-feira, 6 de junho de 2012
soneto do amor melhor
Te amo pequeno, de simplicidade
De amor estreito de fechar na mão
De amor discreto solto na canção
Talvez abrace alguma vaidade
Amor enfim, que ofertei à tarde
Que é cá por dentro, feito uma oração
Sem inventar-se além do coração
Sabe seu canto certo de humildade
Sabe que o nós contém o cada um
Mas também há um nosso amor, comum
Que sabe ser sem precisar de nó
Os olhos mistos de constrangimentos
Deste incontido e amplo afinamento
Que de ser grande, cabe ser menor
05
Guiné da Selva
Dança das caveiras
O imperador e o ritmo
O mago
O cupido
A Psiquê
A sacerdotisa, a imperatriz
O lago
O marido
O ser
Aberto um fogo novo a mente
Um afluente, um sorriso pulsante
Cálida rosa desabrocha no plexo
Cálida rosa desabrocha no plexo
G. da Selva
fev. 2009
devaneios
“a arma da teoria”, disse aquele cara da Guiné-Bissau, o Amilcar Cabral. acho que era casado. Será que estava cansado?! Coitado... Conheço-o de fotografia. Preto/branca, a foto de época. Achei tê-lo visto em algum estandarte no carnaval vermelho de fevereiro. Acho que foi impressão minha. Eu não o conhecia ainda. Ele não era tão lindo. Lepê Correia pode até ser mais, mas não os vamos comparar. Não compraria os dois de uma vez. O filho do amigo do meu pai, lá de Minas Gerais se chama Amilcar, é um rapaz bem sorridente.
G. da Selva
Lua livre - Trexos Bíblicos
Sangre sangrado sagrado
bárbaro bizarro bizantino
tino tinto divino vinho
corrente cordão
casto cristo coroação
rio de redenção
religião religare
criar de cavidade
caverna que transforma
fato feto forma
fluido informe norma
fio filho flor fauna
caldo caldeira concha
terna transmutação
nutrição de terra
veia veneranda
venérea verdade
viva vitalidade
ciclo calmo corpo
alma lavada
véu vermelho
lua livre
7.6.12
Guiné da Selva
quarta-feira, 29 de junho de 2011
picadeiro sem foco
Picadeiros
São tantos os moços jovens
Percorro como porca, fuçando...
Circulo. Minha vida, lama amálgama.
São tantos os rostos móveis
Persigo o que me incomoda e pulo
Contanto, há uma gama.
A faca tem os dois gumes
Engulo o sopro e não sobra
Falta o ar em altos cumes.
Encontro o cristo em cardumes
Nada e ri à grande obra
Respirando os vagalumes
E as cobras.
Olho o som, escuto os dentes
Sinto as acesas narinas
E aprendo a respirar presentes
Cavalos e bailarinas.
No espelho o palhaço
cola sobrancelhas
preto faz um traço
e o nariz espera as abelhas
Alerta vermelho!
Tudo por aqui caiu doente
A maca leva um macaco
Treinado em chapa quente
Na platéia, calabolsos
Picadeiro, carne e ossos
Monstros, mancos, e o leão
Brancos que são, novos moços,
Posturas, granas nos bolsos
complexos em pulsação.
Vim encontrar o Sr. Perdão!
Antes que o amor se ponha
como às noites se sonha
em sua forma tamanha
Pelo passo febril desta manhã
Quero a verdade medonha
A máscara sem vergonha
da noite senil e vã.
Quero essa flora hipnótica
Química beleza óptica
Quasimudos simulacros
Os meus sapatos de volta
Meus pés de pau, minhas cordas
Meus cachimbos, meus tabacos
Tranquilo, se estou um caco
Feito o macaco da maca
Feito treinado macaco
Tranquilo, se sou uma foca
Esperando o peixe à boca
A equilibrar bola ôca, ou faca
Tranquilo, se sou um bloco
sob as leis desta comarca
Tranquilo, se sou uma barca
Ou arca nas mãos do louco
Tranquilo, se ouço pouco
você é môco...
Sendo porca, dada aos porcos
Pata, pássara, cloaca
No picadeiro sem foco.
Guiné da Selvaladares
Set.2010. recife-várzea.
Baltazar
Cairo, 1920. Encontrei o presente aos pés da escadaria. Mirra e bálsamo. O grupo de ciganos havia partido a pouco, pensei sentir o cheiro de Limale. E a imaginei estando por ali, perto da oliveira, seus calcanhares preciosos e precisos acendendo a terra com sua dança derviche. Sentei em uma pedra à sombra, fechei os olhos e escutei a brisa... A caravana não deve estar longe, pensei.
.....
pelos persistentes
Lindo ver nascendo os pelos das pernas, dos suvacos. A vida persiste, cresce. Cada vez que nascem são outros. Os mesmos.
Guiné da Selva.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
reprodução sem título I
nesse antro comigo observo
as sementes q pesam e transbordam
o q meus pensamentos sempre abordam
como são do desejo um mero servo
no ataque em que vive cada nervo
prenda doce voraz no meu caminho
é a mente de pedra y passarinho
espetando pesares com seus garfos
ninho esse de muitos mafagafos
e onde nascem bem mais mafagafinhos.
ônibus - barro macaxeira/várzea,
2 de setembro de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
saponinas
Esta será a minha primeira publicação na Revista Lunduz. E é com muito prazer que ela seja uma construção coletiva, uma conversa emocionante, terapêutica e poética, cheia de declarações de toda natureza através de trocas de e-mails entre pessoas queridas. Nem todas as coincidências que aconteceram estão contidas nos textos, mas eles falam de conexões entre as experiências dessa constelação que juntos formamos.
Camila
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Minha gente, ontem eu fui na apresentação de Aninha, Carla e Mayra na Livraria Cultura. Elas cantaram Noel Rosa. Depois a gente foi para o novo pina e eu disse a Carla que a música que ela e Aninha cantaram era linda e tinha tudo a ver com elas (a música era "Seja breve"). Ela disse que o Grupo Rumo tinha gravado essa música e eu fiquei dizendo que há muito tempo queria conhecer o Rumo.
Fui procurar hoje na rádio uol e encontrei o cd "Quero passear", que tem tudo a ver com o que eu quero. Botei pra tocar e fui fazer cuscuz. Quando voltei pra o computador estava tocando a música "A incrível história do Dr. Augusto Ruschi, o naturalista e os sapos venenosos". Fiquei hipnotizada e chamei mainha pra escutar, pois ela é ambientalista. Ela gostou mas tinha que fazer o café de manhã e saiu.
Eu continuei no computador escutando. Dr. Augusto Ruschi amava a natureza e amava beija-flor, mas um dia ele estava na floresta e viu uns sapos. Ele foi estudar esse sapos e os sapos estavam nervosos e envenenaram o doutor Ruschi. Ele tentou de tudo e não conseguiu se desenvenenar.
Nessa parte a letra diz:
"Nesses casos assim tão graves, só se alguém tiver uma grande
idéia e pensar uma coisa diferente, e pensar o que pouca gente
pensa..."
A música vai se tornando mais forte numa pegada de toré e Raquel diz: "que música linda, eu quero passar essa música na mostra de vídeo indígena de Camaragibe". E mainha disse que ia colocar num cd ecológico que ela quer fazer.
A gente já fez um cd ecológico outra vez. Lembro que tinha "Cio da terra" de Milton, "Do vento" e "Debaixo d´água" de Arnaldo, "Sentado na beira do rio" de Erastro e Eddie, “Terra” de Caetano e outras… Esse cd tocou na inauguração da Associação dos Protetores do Meio Ambiente (ASPROMA) do Salgado, bairro bem pobre de Caruaru, há muito tempo. Mainha trabalha na Asproma. Ela me disse que ela já tinha ouvido falar na história de Agusto Ruschi, que aconteceu mesmo.
http://www.mpbnet.com.br/canto.brasileiro/rumo/quero.passear/augusto_raschi.htm
cami
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cami!
Conexões, conexões. A maioria das pessoas que me conhecem sabem que eu tenho um grande problema com os anfíbios. Pavor. Eu atribuo isso a algumas experiências provenientes do meu habitat familiar (psicanálise!!!) - todos os meus familiares, pai e mae, tios e tias por parte de pai têm medo deles, mais especificamente de rãs que sao umas danadas. Na minha casa sempre houve um auê danado na presença desses bichinhos que, sendo do meio urbano, não representam nenhuma ameaça a ninguém. Pois bem, a última experiência que tive com ela foi quando fui à Bonito-PE e fiquei em uma pousada que apareceram duas rãs e um sapo no quarto. Passei a noite em claro, eu e meu semi-quase-atual-ex namorado Ele tentando me acalmar e eu coberta dos pés a cabeça achando, neuroticamente, que o quarto iria a qualquer momento infestar-se de rãs, sapos e afins. Desde aí percebi que eu tinha que tomar alguma atitude enérgica acerca desse fato que amedronta minha vida em certos momentos e que passa a amedrontar a vida dos meus companheiros quando em minha companhia uma rã ou sapo se faz presente.
Comecei a pesquisar sobre os anfíbios como medida terapêutica e de me fazer entendida daquele velha jargão "tu pensas que tens medo dela, mas ela é que tem medo de ti". Ainda não consigo segurar minha histeria diante deles, mas estou melhorando gradualmente. a minha terapia consistia em: diariamente, antes de sair do computador ficar olhando foto de algumas ranzinhas no google imagens. Encontrei cada uma mais linda que a outra, e fui me enamorando delas por elas possuírem um alto nível de diversidade em suas cores e designers bastante arrojados.
Em meio a minha terapia virtualmente-caseira descobri que existe uma linhagem na familia dos anfíbios que é denominada como "cecilideos". O ente mais conhecido deles são as famosas cobras sem cabeças, também conhecidas como "cecílias"; algumas rãs, dependendo de sua anatomia também recebem essa denominação. Esse foi meu mais alto grau de profundidade atingido terapeuticamente.
Eu sou cecília, assim como um dos meus maiores medos. Isso me fez perceber como os nossos medos são partes vicerais do nosso proprio ser, e que é necessario que olhemos para eles como se estivessemos olhando o nosso proprio reflexo. Aprendendo a lidar com nós mesmos é que criamos nossas proteçoes e nos tornamos fortes para enfrentar toda e qualquer ameaça desse mundo que a gente teima em se diferenciar - toda aquela discussao sobre criador e criatura, sujeito e objeto e blablabla.
Para além dessa questão existencial, pude me tornar, infimamente, mais "politicamente correta". Na casa de veraneio da minha família em Itamaracá não deixo que meu pai esquente água para jogar nas rãs que aparecem e em nenhum outro lugar que eu esteja presente elas são mortas, pelo menos não antes que haja um questionamento acerca disso. Meu sentimento em relação ao meu suposto predador não é o desejo de sua morte, mas que convivamos em harmonia.
que adoremos as jias, e as coisas que não são jias, afinal, tudo é sagrado.
acho que essa musica deveria entrar no cd: http://palavraspreguicosas.blogspot.com/2009/01/gnesis.html
beijos,
Cecilia Cecilidea
Camilinha,
A música é realmente linda e o autor foi muito feliz. Feliz também sou eu porque és sensível com as coisas da naturaleza e te emocionas com sinceridade.
Beijos
Mamá
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Cecilídia, vamos expor nossos medos e fazer uma grande imensa terapia de grupo. Nesse momento eu não consigo ver o cursor na tela do computador, de modo que as palavras surgem como em uma mágica. Tenho pensado em como as máquinas têm alma e também são sagradas. Pensei nisso quando fui consertar minha radiola na Rua da Concórdia. Me senti realizando uma missão difícil e que eu mesma tinha que descobrir como se fazia. Hoje em dia não se vende mais radiolas e as peças são difíceis de encontrar. Eu tinha que encontrar uma determinada agulha que não havia em nenhuma daquelas lojas maravilhosas, com aquelas pessoas inteligentíssimas, artesãs, zens budistas. Não havia a tal agulha em canto nenhum. Perguntei quando ela ia chegar e o moço disse que lá pro dia 15 de agosto. Vou esperar. Tenho que ligar para o moço que está com a minha radiola falando nisso. Ele também é muito inteligente. Ele sabe se uma agulha está boa ou não arranhando-a nas costas da mão. Eu lhe perguntei como ele sabia e ele disse "eu conheço". Fiquei pensando
As máquinas também ficam gagás
e como em nossa sociedade a velhice é descartada
nós descartamos as máquinas velhas
mas o que a gente não sabe
é que a gente cria sentimento
por tudo
as máquinas novas no começo
a gente estranha
mas depois a gente
vai criando afeição
mesmo sem saber
cami
Cecilídea, esqueci de dizer que a psicanálise assim como a pajelança é cura, já dizia Lévi-Strauss no seu texto "A eficácia simbólica". Ele fala de como a cura se dá através dos símbolos e que pajelança e psicanálise operam simbolicamente. A arte também. Quando (re)descobrimos os símbolos, o que tenho pensado ser uma religação com a imaginação da criança, tudo se reencanta.
Cami
Ai, Cami e Cecilia!!!
Estou em um momento simples, numa busca intensa e delicada da simplicidade enquanto cura mesmo. Neste movimento vou aprendendo a olhar pra o mundo com calma, tratando com carinho o que me chega. Vou aprendendo a integralidade das coisas, e compreendendo sem que seja preciso desvendar. Buscando a simplicidade aprendo a me aceitar, a não ter vergonha das minhas dúvidas, das minhas maldades, dos meus medos, vou perdendo o medo da imperfeição... É verdade, Cecília, só no reconhecimento, na autoaceitação, é que a gente transcende, é que a gente ganha outra força e constrói um olhar novo sobre tudo, pra seguir aprendendo a ser mais feliz. Amo muito vocês.
Indira
Ai gente, quanta coisa linda que foi escrita por aqui.
É tão bom estar por perto de gente assim, que é levada pelo coração.
Que transforma o medo num conto engraçado, e a máquina velha num ente querido.
Isso é leveza. E é amor.
Sinto que somos os bichinhos e também o próprio Doutor.
Beijos e cheiros
Maira
quinta-feira, 1 de julho de 2010
osso descarnado
as roupas vermelhas no horizonte
pingando nuvem vermelha
um índio descendo da américa do norte
meu parente.
lavei com as mãos vermelhas e estendi
e pingaram na varanda, à parte do céu
eram tenras, as nuvens de invento na várzea velha
e entendi.
lavei com as minhas próprias mãos
pequenas, peças pequenas
de puro sangue
e o varal era a rédea,
e as vestes, um cavalo mudo
e mestiço
que menstruava.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
quarta-feira...
Legado Sagrado
Exposição fotográfica Edward Curtis.

By Edward Curtis.
Esposição de objetos e fotografias da Coleção Etnográfica Carlos Estevão.

By Curt Nimuendaju.
ABERTURA 12 de maio de 2010, às 19h30. VISITAÇÃO 13 de maio a 13 de junho, de terça a sexta, das 9 às 18h. Sábado e domingo, das 14 às 18.
hasta!
Guiné da Selva.
p.s: com boca livre e imão evento.
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