quarta-feira, 10 de outubro de 2012

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Príncipe do Egito

As sete pragas se desenrolaram
Você é a criatura mais linda
Desafio te amar sem condição
Te amo, muito
Sou essa destruição do que sou
Na tua frente
Só posso ser nada
Me desconstruir
Desnudar
Você sim, é príncipe dessa terra distante no meu peito
Mexe demais comigo
E eu só querendo me livrar
Essa louca, sempre a outra na vida
Nem amiga, nem mulher de respeito
nem pessoa que mereça amizade direito
como pilotar as ações?
Vem tudo num turbilhão
O piloto abre mão
Te entrego a nave
E fico sem rumo
Não me entrego nem me assumo
Me consumo
Em algum momento encontro o enigma
Estigma de mãe
E cuido de amar a ti e tuas namoradas
E achar belo que sejas livre e feliz
E nunca digo palavras, Eurídice
Orfeu que sou, descrente
Caio inconsciente no jogo
Não olho no olho
Culpa de ser mulher? Autopunição ferrenha...
Meu amor será comido pelas feras da forma
Morcego da forma
Liberdade nas asas vermelhas
Em pé, agarrada a alguma arvore
Cabeça na brincadeira das mulheres de Baco
O teatro desespera
“Você não me ama” – é o grito que quer sair
Na vontade do contrário, não há como crer
Tudo mentira!
Eu te amoooooo
                           - Merda!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

da série "o impeleitável"

por las ventas
las ventanas
los hermanos
los incestos
por las direciones
agonia y quentura
ásia gastura

o impeleitável no caminho dos olhos
puxados
no centro do soco
na noite da norte
sexto acionado
ri o sempre sério
queima de tudo
coisa de tudo
guarda nó
tá amarrado

terça-feira, 11 de setembro de 2012

hoje, ode à casa


mulheres soltas na rua
o sono do cobrador
a trepidação do acento
a caxangá em reforma
o pedalar do ciclista

no ônibus telefonei
preciso voltar pra casa
uma voz que me deixe segura
corri com flauta transversa
"era ladrão?" perguntou
a polícia que me seguiu
 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

fuga do tema

Fuga do tema



Fica na tua, na sua
Fico na minha, na praia
Figa na lua, na sorte
Fisgo caminho, na calda
Figo sozinho, na planta
Galho rendido, no tempo
Algo perdido remonta
Conta de acerto, na certa
Carta de aberta, na mesa
Acesa, estrela maestra...

Fogo na forma, no aro do reparo
Pavio curtindo na morte do consorte
Morcego dormindo no luto do esmalte

luz luz luz e vôo
Eletricidade extrema

Fármaco falso na fuga
do tema.

Raínha


Olhos de quê?
Deixa ver, deixa mirar
Olhos castanhos de rainha de Sabá
Raio de rainha, rio esses olhos
Escorregadios... Deixa olhar,
Deixa ser lago, deixa espelhar
Chora e se samba canção
Bombeia a senhora que há, coração
aí dentro, a senhora carece
de prece tua, desnuda
deixa o que quer que pareça perecer
e solta esse jeito
e aceita o defeito
é o jeito o jeito que é, sujeita
Sua receita, seu umbigo amigo
E o transpor oblíquo do artigo
O “o”, o “a”... Nem liga, a liga é a seiva
Essa santa, essa sigla? Essa raiva, essa dor?...
Suave ave, feito flor, feito relva
Deixa sair essa sereia solta, essa selva
Pronta a dervir, a amar
De nadadeira proscrita
Feita, bonita, do modo que vir.

Vai, vive esse sexo, esse nexo novo
Sentido e forro, real, de realeza
Tigresa no corpo que tens
Tuas ferramentas, tuas ferrugens, tuas carruagens, teus bens
Trabalha, meu bem, teu bem bom,
E aprende a dar, com amor, com ou sem batom
Cuida de cuidar de ser, sorte...
Que é esse o tom, e o reino.

vulcano

Filho de mãe solo
Vulcano veio da vulva
Embebido de arsênio 
Ficou Hefaístos das faíscas
E ficou manco
Feito aquele chapeleiro
Maluco de mecúrio
De Lewis Carrol
Ferreiro de pés virados
Feito o curupira
Forjando o passo da forja
Da arte do ferro
Do fogo cigano
Vulcano, Deus humanizado
manco e curvado
Labor indevido
Madrasta eugenia
Que cria e sacode a cria
Do Olimpo fascista 
Um dia a conta chega
Deus-gente se vinga
Vergonha? Culpa...
Revolta choro
íntimo tesouro 
em terra distante...
Na construção do retiro
Dioniso, um Deus vivente
Raio de luz no reduto
Bacante, divino fruto
Deus complexo
Que compreende diverso
vinho e verso 
Divino 
Na festa que Deus confia
Alegria alegoria
Sorte sátira surtia
- cocho, corcunda, marcado...
Por dentro, metal pesado
Um Deus vulcão
Cão de lava
Raio da rocha fundida
forja, ferro, erupção
Vulcano, o Deus Vulcão
Vulgo, Cão
Deus forjador...
Dois Deuses nus
Cão e bode
berro absoluto explode
Pelo catártico néctar
Arteiros tortos
Deus vivo é bicho solto
abortos renascidos
absurdos assumidos
Na transluzencia da Uva
Divinos filhos da Vulva




Maio, 2011

sábado, 1 de setembro de 2012

Pra Gabriela latina-americana no meu peito


morena linda
uma dançarina
no universo a mais
tudo todo instante

morena no futuro
teu presente é teu
drama, fardo
fundado no breu

tua alegria, bem sei
tua verdade de lei
nem sempre alegre
tua verdade é  raiz

assim, morena,
sina assim sofrida
nem combina
na dor agreste

uma passagem poente
prontamente paisagem
no leste da dor
na voz da viagem

morena America
tem signo de singular
complexidade rica

tua grande angular
tem trato no retrato
de todo o encontro

não esqueça disso

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

sereias



às Senhoras (sereias)

baixou
fiquei alta com elas me abençoando
de amor de mar
de rio
dançam que é uma beleza
lindas e amorosas
recebi as senhoras
no derradeiro toque
importante encontrar
sereias

terça-feira, 21 de agosto de 2012


poema pra Ana Carolina Martins nas manhã católicas da filosofia.

bom passar contigo pelos grotões do labirinto de jah
bom tua vizinhança
tua dança na minha
tua crença se desfazendo em nietzsche

da cabeça aos pés
teu ódio virando amor
virando teologia do cotidiano

na teleologia da fruição de sonar



domingo, 19 de agosto de 2012

Leo pardo

Leo pardo

leo pardo brincava enquanto
olhos acesos de ônix, tilintar 
caminhava a inocência imberbe
florestas de rédea
casco duro batucando azulejo
hora certa do ocaso
desenho do ocaso
leo pardo pintava o ocaso na barba
pintava a noite na alvenaria
a barba na tenda
olho de fruta noturna
tecido bérbere



terça-feira, 24 de julho de 2012

& Bíblico

Tu queria? Queria... Tu queria? Queria! Foi nesse tom de galhufa, baixo, no pe do ouvido... Disse pegando onde devia e despegando. Sorte passageira, cigana, desenganada. Luz edênica. Quase idêntico ao outro dia. Uma cumplicidade momentânea antiga. Quarenta dias, mil e uma noites, quarenta ladroes... Caminho comum, quase diria se chutasse. Há além, no entanto não se abre mão do contexto. Dez filhos, esposas, netos... Caminhos...

^^



No coletivo
Leio no assento
Caio na escrita
criativa
Ventilação de teto...
Saída de emergência!
portas e janelas...
Parada solicitada!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

soneto do amor melhor

Soneto do amor menor
 
Te amo pequeno, de simplicidade
De amor estreito de fechar na mão
De amor discreto solto na canção
Talvez abrace alguma vaidade
 
Amor enfim, que ofertei à tarde
Que é cá por dentro, feito uma oração
Sem inventar-se além do coração
Sabe seu canto certo de humildade
 
Sabe que o nós contém o cada um
Mas também há um nosso amor, comum
Que sabe ser sem precisar de nó
 

Os olhos mistos de constrangimentos
Deste incontido e amplo afinamento
Que de ser grande
, cabe ser menor



05

Guiné da Selva

Dança das caveiras


O imperador e o ritmo
O mago
O cupido
A Psiquê             
 
A sacerdotisa, a imperatriz
O lago             
O marido
O ser
 
Aberto um fogo novo a mente
Um afluente, um sorriso pulsante
 
Cálida rosa desabrocha no plexo
 Cálida rosa desabrocha no plexo
 


G. da Selva
fev. 2009
 
 

devaneios

14.05.2009

“a arma da teoria”, disse aquele cara da Guiné-Bissau, o Amilcar Cabral. acho que era casado. Será que estava cansado?! Coitado... Conheço-o de fotografia. Preto/branca, a foto de época. Achei tê-lo visto em algum estandarte no carnaval vermelho de fevereiro. Acho que foi impressão minha. Eu não o conhecia ainda. Ele não era tão lindo. Lepê Correia pode até ser mais, mas não os vamos comparar. Não compraria os dois de uma vez. O filho do amigo do meu pai, lá de Minas Gerais se chama Amilcar, é um rapaz bem sorridente.

G. da Selva

a índia que há em nós


Lua livre - Trexos Bíblicos


Sangre sangrado sagrado
bárbaro bizarro bizantino
tino tinto divino vinho
corrente cordão
casto cristo coroação
rio de redenção
religião religare
criar de cavidade
caverna que transforma
fato feto forma
fluido informe norma
fio filho flor fauna
caldo caldeira concha
terna transmutação
nutrição de terra
veia veneranda
venérea verdade
viva vitalidade
ciclo calmo corpo
alma lavada
véu vermelho
lua livre

7.6.12
Guiné da Selva

quarta-feira, 29 de junho de 2011

picadeiro sem foco

Picadeiros


São tantos os moços jovens

Percorro como porca, fuçando...

Circulo. Minha vida, lama amálgama.


São tantos os rostos móveis

Persigo o que me incomoda e pulo

Contanto, há uma gama.


A faca tem os dois gumes

Engulo o sopro e não sobra

Falta o ar em altos cumes.


Encontro o cristo em cardumes

Nada e ri à grande obra

Respirando os vagalumes

E as cobras.


Olho o som, escuto os dentes

Sinto as acesas narinas

E aprendo a respirar presentes

Cavalos e bailarinas.


No espelho o palhaço

cola sobrancelhas

preto faz um traço

e o nariz espera as abelhas


Alerta vermelho!

Tudo por aqui caiu doente

A maca leva um macaco

Treinado em chapa quente


Na platéia, calabolsos

Picadeiro, carne e ossos

Monstros, mancos, e o leão


Brancos que são, novos moços,

Posturas, granas nos bolsos

complexos em pulsação.


Vim encontrar o Sr. Perdão!

Antes que o amor se ponha

como às noites se sonha

em sua forma tamanha


Pelo passo febril desta manhã

Quero a verdade medonha

A máscara sem vergonha

da noite senil e vã.


Quero essa flora hipnótica

Química beleza óptica

Quasimudos simulacros


Os meus sapatos de volta

Meus pés de pau, minhas cordas

Meus cachimbos, meus tabacos


Tranquilo, se estou um caco

Feito o macaco da maca

Feito treinado macaco


Tranquilo, se sou uma foca

Esperando o peixe à boca

A equilibrar bola ôca, ou faca


Tranquilo, se sou um bloco

sob as leis desta comarca


Tranquilo, se sou uma barca

Ou arca nas mãos do louco


Tranquilo, se ouço pouco

você é môco...


Sendo porca, dada aos porcos

Pata, pássara, cloaca

No picadeiro sem foco.


Guiné da Selvaladares

Set.2010. recife-várzea.